domingo, 21 de março de 2010

Pesquisa escolar e Pedagogia de Projetos

Toda vez que ouço que hoje o trabalho do educador em sala de aula precisa ser de mediação e que a aprendizagem deve ser significativa, estimulando a autonomia nos estudantes, recordo algumas idéias de Pedro Demo, em seu livro Saber Pensar, especialmente quando ele apresenta a pesquisa como um modo de aprender, isto é, como princípio educacional.

Mas como mediar formas de aprender tendo com base a pesquisa se não sabemos pesquisar? Este questionamento me faz até recordar uma indagação de Jesus: “um cego pode guiar outro cego?!

O que é mesmo pesquisa? Quais cuidados devem ser tomados? Há metodologia ou metodologias para isso?

Por experiência própria, entendo que vivências e estudos em torno de boas referências sobre pesquisa favorecem a compreensão desta. Inicialmente podem colaborar com a superação daquele antigo hábito de propormos aos estudantes a pesquisa sobre um tema qualquer, com o tremendo equívoco de não levarmos em contam suas dúvidas ou interesses, de apresentarmos temas amplos e de não discutirmos a respeito de métodos de pesquisa, especialmente sobre o tratamento das fontes de informação e formas de (re)construirmos e socializarmos conhecimentos.

Sobre os tempos de estudante no ensino fundamental recordo quando alguns educadores solicitavam estudo de temas relacionados às suas disciplinas e qual era a minha ação diante disso: ia para a biblioteca da escola e transcrevia de livros ou enciclopédias o solicitado. Eram páginas e páginas copiadas mecanicamente em folhas de papel almaço e sem leitura atenta. De lá para cá estas práticas parecem não ter mudado muito: trabalhos ainda são pedidos e os estudantes copiam, copiam, copiam... O que mudou foi apenas a velocidade com que se pode copiar, proporcionada pela tecnologia do Control C + Control V.

Para promover uma aprendizagem que tenha a pesquisa como princípio educacional, antes de tudo o educador precisa ser pesquisador da realidade escolar, dos desafios que encontra na docência, dos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais que deve estimular e especialmente de sua própria prática e um sujeito que instiga na sala de aula a dúvida, isto é, ao invés de valorizar as respostas prontas, estimular curiosidade e criatividade.

Uma possibilidade metodológica para isso é o desenvolvimento da Pedagogia de Projetos, uma maneira de trabalhar o conhecimento por meio da interdisciplinaridade, tendo como base projetos de vida cotidiana, de empreendimentos e de aprendizagem. Mas em relação a este item Demo (2000) entende que não podemos “resumir a aprendizagem a procedimentos apenas técnicos e formais, sobretudo a procedimentos instrucionais, porque, enquanto os aprendizes se restringem a seguir ordens, não se farão sujeitos capazes de fazer e sobretudo fazer-se oportunidade”.

Nesse sentido, se desejamos ver em nossas escolas estudantes autônomos, o desenvolvimento da pesquisa não deve acontecer de maneira vertical, onde o educador decide a respeito do tema que deve ser trabalhado, elabora o projeto de pesquisa a ser executado pela turma e distribui tarefas. Ao contrário, é preciso criar estratégias de sensibilização para estudo de temas escolares, despertando curiosidade e mobilizando interesse, favorecer construção coletiva de projeto de pesquisa do grupo ou de grupos da sala de aula e estimular o trabalho colaborativo durante todo o processo de produção de conhecimentos.
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