sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bourdieu e a Educação

Esta postagem é um resumo do texto de Alberto Tosi Rodrigues, publicado em 2007. Tal resumo serviu de subsídio para estudo a estudantes do Curso de Licenciatura em Pedagogia, quando lecionávamos Sociologia da Educação no segundo semestre de 2007.

BOURDIEU E OS ESQUEMAS REPRODUTORES
São questões a refletir a partir do pensamento de Bourdieu:
Será que a barreira da dominação social é intransponível?
Será que estamos condenados a reproduzir as estruturas indefinidamente?

Bourdieu é um dos principais sociólogos a analisar a educação contemporânea sob a influência do modelo de Durkheim.
Para levar a cabo a ambição de Durkheim de unificar as ciências humanas em torno da sociologia, Bourdieu introduziu uma síntese teórica entre o modelo durkheimiano e o estruturalismo.
O estruturalismo se conecta à sociologia de Durkheim na medida em que pretende desvendar o peso das estruturas sociais por trás das ações dos sujeitos. (O pensamento de Bourdieu é uma versão mais radical do modelo de Durkheim).
Para o estruturalismo (pensamento de Bourdieu na primeira fase de sua produção, década de 1960), os sujeitos são uma espécie de marionetes das estruturas dominantes, isto é, mesmo aqueles que pensem estar liberados das determinações sociais, são movidos por forças ocultas que os estimulam a agir, mesmo que não tenham consciência disso. (“condições objetivas” que o investigador deve desvendar, pois é nelas que residem as explicações).
Bourdieu compreende que a teoria de Durkheim e o estruturalismo permitem demonstrar como os indivíduos, em sua ação, apenas reproduzem as orientações determinadas pela estrutura social vigente.
Para Bourdieu, os sujeitos da ação estão ausentes daquele nível da sociedade em que são objetivamente determinadas as suas ações. O sujeito não existe. O que chamamos de ação é o processo pelo qual as estruturas se reproduzem. O sujeito está submetido aos desígnios da sociedade, faz o que as estruturas determinam, não sabe disso e ainda é iludido pelos discursos dominantes que o fazem pensar que sua ação é resultante de vontade própria.

Bourdieu e Passeron (em 1964) publicam os herdeiros, livro no qual pretendiam combater uma idéia muito comum na França da época, segundo a qual os estudantes e o meio estudantil seriam uma classe social à parte na sociedade. E seriam responsáveis, em razão de sua juventude e de sua disposição para a ação, pela liderança da transformação social.
Em maio de 1968, em Paris, estudantes franceses saíram às ruas, culminando num processo de mobilização que teria um alcance bem maior do que a capital francesa. Ironicamente o livro serviu como estímulo para essas mesmas revoltas estudantis, por seu aspecto crítico.

Idéias presentes no livro os herdeiros. Bordieu e Passeron:
+ Discordam do discurso dominante segundo o qual a conquista de uma “escola para todos”, de caráter igualitário, tornaria possível a realização das potencialidades humanas;
+ Compreendem que a instituição escolar dissimula por trás de sua aparente neutralidade a reprodução das relações sociais e de poder vigentes: encobertos sob as aparências de critérios puramente escolares, estão critérios sociais de triagem e de seleção dos indivíduos para ocupar determinados postos na vida;
+ Entendem que não há qualquer possibilidade de romper com as estruturas de reprodução e afirmam que as teorias pedagógicas são uma cortina de fumaça que procura ocultar o poder reprodutor do sistema que está nas mãos dos educadores. Para os referidos autores não há saída: o sistema de ensino filtra os alunos sem que eles se dêem conta e, com isso, reproduz as relações vigentes. Não há possibilidade de mudança.

Em 1970 Bourdieu e Passeron refinaram suas idéias, incorporando sistematicamente as idéias e Marx e Max Weber, publicando o livro “A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino”. A tese central do referido livro é: toda ação pedagógica é, objetivamente, uma violência simbólica.
Violência simbólica é a imposição arbitrária que, no entanto, é apresentada àquele que sofre a violência de modo dissimulado, que oculta as relações de força que estão na base de seu poder.
A ação pedagógica é uma violência simbólica porque impõe, por um poder arbitrário, um determinado arbitrário cultural.
Arbitrário cultural, concepção cultural dos grupos e classes dominantes, que é imposta a toda a sociedade por meio do sistema de ensino. Tal imposição não aparece jamais em sua verdade inteira e a pedagogia nunca se realiza enquanto pedagogia, pois se limita à inculcação de valores e normas.

A ação pedagógica implica o trabalho pedagógico (trabalho de inculcação daquele referido “arbitrário” que deve durar o bastante para que o educando “naturalize” seu conteúdo, encare-o como natural, como evidentemente correto em si mesmo, o bastante para produzir uma “formação durável”).

(...) Na medida em que o educando interioriza os princípios culturais que lhe são impostos pelo sistema de ensino – de tal modo que, mesmo depois determinada sua fase de formação escolar, ele os tenha incorporado aos seus próprios valores e seja capaz de reproduzi-los na vida e transmiti-los aos outros – Bourdieu diz que ele adquire um habitus. Uma vez que o arbitrário cultural a ser imposto é incorporado ao habitus do professor, o trabalho pedagógico tende a reproduzir as mesmas condições sociais (de dominação de determinados grupos sobre outros) que deram origem àqueles valores dominantes. (RODRIGUES, 2007, p.74).

O que explica, no pensamento de Bourdieu, a desigualdade que está na base do processo de seleção escolar?
A compreensão de que todo sistema de ensino institucionalizado visa, em alguma medida, realizar de modo organizado e sistemático a inculcação dos valores dominantes e reproduzir as condições de dominação social que estão por trás de sua ação pedagógica.

(...) Os autores, valendo-se de dados empíricos, demonstram que as “condições de classe de origem” dos alunos que entram no sistema de ensino francês determinam tanto a probabilidade de passagem ao nível escolar seguinte, quanto, ainda, o tipo de estabelecimento de ensino ao qual ele tem acesso (se de melhor ou pior qualidade). Tal situação se reproduz, do ensino básico ao médio e ao superior e determina também, no final das contas, a “condição de classe de chagada”, deste aluno, isto é, o tipo de habitus que adquiriu, o “capital social” ao qual teve acesso e, em especial, a posição na hierarquia econômica e social a que chegou. (RODRIGUES, 2007, p.74).

Referência
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 6. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sociologia da Educação em Karl Mannheim (1893-1947)

A partir deste postagem estaremos publicando resumos do texto de Alberto Tosi, apresentando idéias da área de Sociologia de Educação produzidas por autores clássicos da Sociologia. O autor a inaugural esta série é Karl Mannheim... Boa leitura!

MANNHEIM E A LUZ NO FIM DO TÚNEL
Mannheim retoma a formulação de Weber sobre os tipos de educação - pedagogias do cultivo e do treinamento - e crescenta a essa formulação a perspectiva de um programa para a mudança da educação.
Fugindo do pessimismo weberiano, o referido autor propõe a educadores e educandos que utilizem a sociologia como embasamento teórico  para a compreensão da situação educacional moderna.
Para Mannhiem o pensamento social não pode explicar a vida humana, mas apenas expressá-la. O papel da teoria, portanto, é compreender o que as pessoas pensam sobre a sociedade e não o de propor explicações hipotéticas sobre ela.
O autor defendia uma sociedade que fosse essencialmente de democrática, uma democracia de bem-estar social dirigida pelo planejamento racional e governada por cientistas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Para nossos alunos-leitores


Bárbara Cerqueira Casé*, uma de nossas leitoras, compartilha conosco uma reflexão sobre estratégias para a formação de leitores em ambientes escolares, focalizando especialmente a utilização da literatura. Desde já, Bárbara, agradecemos sua colaboração e disponibilidade. Vejamos, então, a sua reflexão a respeito:

 “A taxa de leitura por pessoa foi de 4,7 livros lidos por ano. Em 2000, foi apenas de 1,8 livro. O estudo também aponta que a maioria das obras lidas foi indicada pela escola (incluindo os didáticos). Outro dado interessante: crianças e jovens leem mais que adultos. Leitores entre 11 e 13 anos leem, em média, 8,5 livros por ano. Já entre as pessoas na faixa etária dos 30 anos, a taxa cai para 4,2 livros.” (“Retratos da Leitura no Brasil”, Instituto Pró-Livro, 2008).

Os dados acima apontam para melhora significativa no trabalho da escola para formação de jovens leitores. Por longos anos foi priorizada na escola a leitura operacional de decodificação dos signos lingüísticos dissociada do prazer proporcionado pela mesma; o que pode explicar tanto a falta de interesse dos adultos brasileiros pela leitura como os elevados índices de analfabetismo funcional. A realidade, no entanto, impõe a necessidade de formação de leitores, devido a estreita relação entre a leitura e desempenho escolar. Assim, aos professores é lançado o desafio diário de trabalhar a leitura de maneira prazerosa para atingir a meta da formação de leitores. Selecionamos alguns pontos para refletirmos sobre a prática em salas de aulas.



1. Projetos interdisciplinares
O uso da literatura nos projetos interdisciplinares ainda é uma ferramenta pouco explorada entre os professores. A partir de um livro podem ser articuladas discussões entre os temas abordados no texto e outras disciplinas, o que pode trazer mais significados e melhor entendimento dos conteúdos por parte dos alunos. Indicações: “Jubiabá”, de Jorge Amado, para compreender a representação da negritude na Bahia; “Macunaíma”, de Mario de Andrade, para tratar da condição do índio no Brasil e trazê-la para o contexto da contemporaneidade.


2. O prazer proporcionado pela leitura
A literatura enquanto ferramenta educativa é importante, mas não só esse ponto deve ser trabalhado na escola. O prazer proporcionado pela leitura não deve ser considerado fator secundário. Quem nunca ficou preso à leitura de uma romance, não ficou emocionado ou apreensivo com o desfecho do enredo, ou ficou por horas imaginando aquele cenário descrito pelo autor? O professor pode propor um gama de títulos para esse fim. É interessante levar os alunos à biblioteca, permitir que eles folheiem os livros, que escolham os títulos livremente. Júlio Verne foi “Da terra a lua” antes mesmo de o homem conquistar essa façanha, viajou em expedição para África em “Cinco semanas em um balão” sem nunca sair de Paris. Para não falar das aventuras do cavaleiro andante “Dom Quixote” e seu fiel escudeiro Sancho Pança, contadas por Cervantes.


3. Contação de história
Atividades de contação de história são muito trabalhadas na educação infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental, mas perdem o apreço dos professores das séries mais avançadas. O prazer proporcionado por ouvir as histórias de Monteiro Lobato pode ser tão positivo para crianças quanto para jovens. Um trecho do livro “A reforma da natureza” pode ser utilizado para introduzir uma aula sobre o meio ambiente. Ou uma das “Comédias para ler na escola”, de Érico Veríssimo, pode servir para introduzir uma aula de língua portuguesa.


4. Outras mídias
Crianças e jovens, de modo geral, têm acesso facilitado à televisão e à música; as outras artes, como o cinema, o teatro, as artes plásticas e a própria literatura, se dão em ambientes relativamente restritos e seu acesso é possibilitado pelos adultos. Muitos livros foram adaptados para outras mídias, e usá-las como recurso educativo para estudar literatura não pode ser descartado. “O auto da compadecida”, de Ariano Suassuna, é uma obra que já esteve na TV e no cinema; por que não apresentar o autor, as características de sua escrita, abordar a temática discutida a partir do filme? “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, é um clássico da literatura brasileira do qual também foi feita para o cinema uma adaptação contextualizada nos dias de hoje.


5. Professor-leitor
Muitas crianças e jovens têm seu primeiro contato com a leitura literária na escola. Usar a desculpa de que não conhece ou não entende de literatura para subtrair do aluno o direito ao acesso ao conhecimento é uma postura cômoda que não cabe em nossos tempos. É imperativo que o formador de leitores seja antes de tudo um bom leitor. O professor deve conhecer o autor, ler o seu livro e estudos sobre ele e seu contexto de produção, preparar-se para a atividade de leitura da mesma forma como faria para ensinar matemática. Pesquisas recentes comprovam que o professor se constrói em sala de aula. Como intelectual que é, deve buscar atualização constante, ser curioso, pautar sua prática na pesquisa.


Romper com paradigmas exige muito esforço e trabalho. Contudo o professor desempenha um papel político e como tal não pode se furtar à reafirmação diária do seu compromisso ético pela educação para transformação social. O trabalho de leitura na escola pode aliar a decodificação e a interpretação dos conteúdos com o prazer, e o profissional de ensino pode fazer uso de diversas estratégias para que isso aconteça. Um exemplo: a editora Abril elaborou uma lista dos livros que devem ser lidos dos 2 aos 18 anos que está disponível em seu site. Professor, faça uma análise crítica da relação de títulos indicados com a idade correspondente, veja quais obras podem ser trabalhadas com sua turma, leia a obra, conheça o autor. A próxima aula pode ser mais interessante tanto para os alunos quanto para você. Bom trabalho!

* Bárbara Cerqueira Cazé é pedagoga, com graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS. Contato: barbaracaze@gmail.com

Divirta-se com esta história sobre leitura:
 
Dica de textos literários:

sábado, 17 de abril de 2010

Novas, novas no Ateliê de educadores!

Há notícias em nosso blog, nas páginas "Concursos e seleções para educadores" e " Sites - livros digitais". São novidades de oportunidades de emprego e de livros gratuitos para baixar diretamente da internet. Passem por aqui. Nosso endereço é: atelierdeducadores.blogspot.com

Painel integrado

Propor dinâmicas para estudo em grupo é um bom caminho para incrementar aulas na educação básica ou no ensino superior. Estamos convencidos disto pois quando éramos estudantes nestes níveis de ensino, víamos o quanto elas promoviam interação e momentos de aprendizagem. Provavelmente por isso nos interessamos por tais recursos, utilizando-os no ensino. Uma dessas dinâmicas é o Painel integrado.

Digamos que você tem um texto ou livro e deseja analisá-lo com a turma durante um turno/aula. Nada melhor que o painel integrado. Mas quais são os passos para aplicá-lo?... É bem simples.

1. Inicialmente podemos realizar breve introdução ao texto que será estudado, expondo os objetivos do encontro e a metodologia que será adotada para alcançar o desejado;
2. Em seguida, dividimos a sala de aula em pequenos grupos, de igual quantidade em termos de participantes;
3. Entregamos para cada grupo uma parte do texto e sugerimos que o mesmo seja lido e debatido, com destaque para as idéias principais e as dúvidas. Nesse momento recomendamos que todos façam suas anotações. Ningúem deve se fugir deste compromisso;
4. O educador pode nomear cada grupo por uma letra do alfabeto ( grupo A, grupo B...) e enquanto os grupos estão reunidos, dá a cada integrante um número (a um, o número 1, a outro, o 2 e assim por diante). Por tanto, no grupo A haverá o 1, 2, 3... No grupo B, o 1, 2, 3...
5. Uma vez terminados os debates na primeira formação grupal (por letras), agora os que receberam o número 1, formarão o grupo 1, e assim por diante. Assim, o grupo 1, por exemplo, terá representante de cada grupo da primera formação;
6. Lembra-se de quando orientamos que todos anotassem idéias durante o debate? Pois é! No grupo de nova formação cada um vai apresentar o que estudou na primeira formação, permitindo que naquele grupo sejam tratadas as idéias de todas as partes do texto.
7. Durante exposição de idéias nesta segunda formação, cada grupo procuro pensar em idéias conclusivas, registramdo-as, preferencialmente;
8. Para finalizar, o grupos pode expor suas descobertas no grupão, em plenário.

Já utilizamos várias vezes essa dinâmica e  tivemos momentos brilhantes, especialmente quando tínhamos textos longos para estudar e pouco tempo para isso. Então, tempo e aprendizagem eram maximizados.

Para permitir a compreensão desta sugestão, confira esta imagem que criamos para simular a formação dos grupos.


Você conhece alguma dinâmica interessante para estudo em grupo? Quer compartilhar conosco? Envie sugestões para nosso e-mail: salescunha.neto@gmail.com


Uma consulta aos amigos!

Olá colegas!
Eu e outros educadores queremos reunir um grupo de pessoas interessadas em participar de Curso de Especialização em Educação de Surdos com ênfase em LIBRAS. Para isso, pensamos em realizar pré-inscrição de interessados. Podem participar deste curso pessoas que estão prestes a concluir a graduação ou que já concluíram, especialmente aquelas que desejam conhecer de perto a Educação de surdos e torna-se colaborador.
A inscrição pode ser efetuada por meio do envio dos seguintes dados:

Tais dados devem ser enviados para cidadaniaplanetaria@yahoo.com.br
Contamos com a ajuda de todos, divulgando esta proposta entre amigos. Tendo um bom número de interessados, quem sabe possamos começar este curso em agosto de 2010.

Abraços!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mediando a aprendizagem colaborativa

Lecionando Metodologia do Estudo Científico neste semestre (2010.2), procuramos estimular entre nossos estudantes  algumas ações que colaborem com a promoção do aprender a aprender. Nesse sentido, além de propor textos como referências, sugerimos que os mesmos buscassem outros textos em livros disponíveis na bliblioteca da faculdade ou em artigos científicos na internet.
Antes disso, preparamos os estudantes quanto a procedimentos de pesquisa, apresentando espaços para investigação, orientando formas de tratamento de informação, como a utilização de fichamentos, dentre outros.
Nesses dias, por exemplo, estamos estudando resenhas críticas e para isso recomendamos as seguintes ações:
+ Realizar fichamento de textos sobre resenha crítica, organizando-as por categorias (palavras-chave) e tecendo comentários;
+ Enviar fichamentos para e-mail do professor, visando a oganização das citações em quadro comparativo.
Com os textos enviados pelos estudantes, organizamos o quadro comparativo e propomos a análise deste em plenário. Consideramos que neste momento podemos, ao mesmo tempo, exercitar a prática de fichamentos; ter uma visão conjunta das idéias dos autores sobre vários aspectos de um tema e dialogar com eles; estudar resenha crítica; estimular a troca de idéias no grupo, favorecendo a aprendizagem colaborativa.
No primeiro encontro vimos como o trabalho de pesquisa desenvolvido em duplas colaborou com uma rica coleta de informações e até pontuamos que se o mesmo trabalho tivesse sido realizado individualmente, provavelmente não teria ficado tão bom.
Outro aspecto que observamos foi que os trabalhos de fichamento não se destinaram apenas ao estudo individual ou para a avaliação do professor, tendo em vista a aferição de nota. Sabemos que a avaliação somativa é importante, no entanto, vemos isso como uma consequência porque compreendemos que mais relevante é o que nós e nossos estudantes aprendem significativamente. Por isso é que acreditamos que devemos também trabalhar com a avaliação diagnóstica e formativa.
Nossa sugestão, nessa perspectiva, é que trabalhos recomendados nas escolas e universidades, tais como fichamentos, resenhas e resumos, sejam apreciados em sala de aula, não se resumindo apenas a trabalhos para fins de avaliação individual e solitária docente. Recomendar trabalhos acadêmicos e não analisá-los em encontros com os estudantes (aulas), ao nosso ver é um desperdício de possibilidade de aprendizagem, é como se "morréssemos na praia".
O estudo sobre resenha ainda está sendo desenvolvido. Com a análise das citações, pretendemos estimular a criação coletiva de um texto a respeito. Assim, estaremos estimulando a produção textual por meio do confronto de idéias entre autores, fazendo-nos autores também. Apresentaremos o resultado nesse blog, eventualmente.

Já que falamos de fichamento e quadros comparativos, expomos logo abaixo os referidos recursos:
Fichamento:
Neste modelo de fichamento mesclamos dois tipos de fichamento: de citação e de comentários.

Quadro comparativo:
Este quadro contém citações colhidas pelos nossos estudantes. É um recurso muito bom para permitir o confronto entre idéias de vários autores sobre itens de um mesmo tema. O mesmo dá uma visão de conjunto e possibilita o exercício da análise e da interpretação.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Textos para sensibilização de Dom Antônio de Almeida Lustosa

Quando realizava pesquisa para o trabalho de conclusão de curso no Mestrado em Educação, um intelectual brasileiro depertou o meu interesse por conta de sua significativa atuação em Fortaleza, especialmente no atendimento a pessoas carentes durante os anos de 1940 a 1960. Outro aspecto sensibilizador foi sua vasta produção escrita em gêneros textuais diversos, tais como: poesias, contos, crônicas, cartas e músicas.
Sabendo que muitos educadores gostam de utilizar em seus encontros (aulas, cursos de formação inicial e continuadas, por exemplo) textos que provoquem reflexões coletivas, resolvemos divulgar uma seleção de textos que, mesmo sendo escritos noutro momento de nossa história, podem colaborar com este fim.

Um bom exemplo é o texto "A lagartixa", que reproduzimos logo abaixo:

A professora está dando uma aula de português, no terceiro ano primário:


“O diminutivo se forma com o acréscimo de um sufixo, com inho, zinho, zito etc. Por exemplo: rapaz, rapazito, ou rapazinho, ou rapazelho, ou rapagote... pedra, pedrinha ou pedrita... casa, casinha ou casita ou casebre...mala, malinha, malazinha, malêta... Há porém, palavras que tem posto menor: Exemplos: Homem - menino; boi - bezerro; galo – pinto; pombo – borracho; árvore – arbusto; rio – regato; vara – virgula; cabeça – capítulo; telha – tecla; roda – rótula, rolha... Entenderam bem? Quem é capaz de dar outro exemplo de diminutivo formado sem sufixo?

- Eu – disse João – Faca – canivete...

- Muito bem. Quem mais sabe dar algum exemplo?

- Eu – disse Pedro – Rato - camondongo...

- Muito bem. Realmente camondondo ou catita, é um rato pequeno.

- E mais ninguém sabe demonstrar com algum exemplo que entendeu bem?

- Eu sei – diz Zelito, o menor da aula, um petiz de oito anos apenas.

- Diga Zelito.

- Jacaré...

- E qual o diminutivo?

- Lagartixa.

(Gargalhada geral)

(Dom Antônio de Almeida Lustosa - do livro "No mundo infantil").


O que achou do texto? Será possível utilizá-lo no planejamento de uma aula, visando introduzir o estudo de algum tema? Pensei que poderíamos, por exemplo, utilizar este texto numa aula de ciências, articulando conteúdos conceituais e atitudinais.
Acesse os textos de Lustosa, clicando aqui.
Deseja conhecer Lustosa? Clique aqui

sábado, 10 de abril de 2010

Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS

Na minha infância, recordo de uma jovem que era hostilizada por pessoas do bairro no qual morava por que a mesma não ouvia bem e, como consequência, não falava como as demais pessoas. Aqueles momentos causavam em mim inquietação, especialmente quando a mesma era vista como louca e tratada publicamente com desdém. Estávamos na década de 1980.
Estudando a história de pessoas com deficiência no Brasil, vemos que este tratamento era dispensado a todos aqueles tidos como diferentes e, portanto, considerados inferiores. Muitos eram classificados como loucos e confinados a sanatórios, hospitais, asilos, abrigos e prisões. Imagino quantas pessoas consideradas surdas-mudas sofreram com isso, especialmente pela ignorância da sociedade.
Atualmente sabemos que pessoas com surdez se comunicam, têm Língua própria. Aqui no Brasil, por exemplo, a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, ganha cada vez mais visibilidade e a procura por aprender esta língua cresce gradativamente. Além disso, movimentos sociais promovidos como comunidades surdas, têm  colaborado com a conquista de novos direitos, tendo em vista o exercício pleno da cidadania.

Hoje o blog Ateliê de Educadores inaugura a página "Diálogos", entrevistando a intéprete e tradutora de LIBRAS, professora Thalita Araújo. Na oportunidade, a educadora fala de Linguas Brasileiras de Sinais, mitos sobre surdez e mudez, possibilidades de comunicação com surdos, aprendizagem de LIBRAS pelos surdos, inclusão de surdos em escolas regulares e assuntos relacionados.
Para ter acesso à entrevista entre na página "Diálogos", deste blog ou clique aqui.

Sugestão de cursos
Cursos de LIBRAS em nível básico ou intermediário - Turmas iniciarão no dia 24 de abril, na FACESA. Informações a respeito poderão ser adquiridas por meio do número (71)33335446 ou pelo e-mail: extensaofacesa@yahoo.com.br

Conheça o blog a professora Thalita Araújo
http://cursodelibrasextensao.blogspot.com/

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Seminário: entre conceitos e práticas

Conceitos e práticas
A combinação entre vivências e leituras sobre determinados procedimentos para o estudo é uma boa fórmula para a aprendizagem. Nesse sentido, as vivências permitem ver o alcance das indicações teóricas e as leituras fundamentam as ações.
Para nós, o aprendizado do seminário foi se consolidando graças às vivências que tivemos a respeito e às leituras que procuramos realizar, tendo em vista compreender mais ainda esta técnica para estudo em grupo.
Buscando conceitos sobre seminário, nossa compreensão passou a ter uma dimensão maior e o planejamento desta atividade ganhou contornos mais consistentes e ações potencializadas. Ver, por exemplo, a definição de Medeiros (2004), reforçou a idéia de que o seminário é um momento culminante do processo de pesquisa realizado por uma pessoa ou grupo, no qual conhecimentos são socializados e discutidos:

O seminário consiste em buscar informações, por meio de pesquisa bibliográfica ou de entrevista de especialistas, discussão em grupo, confronto de pontos de vista, formulação de conclusões. Realizado o trabalho inicial, leva-se o resultado a uma assembléia para discussão. Todos devem participar. Não é o seminário uma assembléia para relatar informações tão somente. (MEDEIROS, 2004, p. 31).

Nesta citação vemos também que no seminário, aqueles que comunicam os resultados das pesquisas não são meros transmissores de informações e idéias, mas mediadores da participação, isto é, favorecem um clima de debate entre expositores e platéia. Assim, os saberes podem se constituir em comunidade, coletivamente.
Concordando com Medeiros (2004), Lakatos e Marconi (2005) afirmam que o seminário é uma técnica de estudo que inclui pesquisa, discussão e debate e acrescentam que "(...) Essa técnica desenvolve não só a capacidade de pesquisa, de análise sistemática de fatos, mas também o hábito do raciocínio, da reflexão, possibilitando ao estudante a elaboração clara e objetiva de trabalhos científicos". (LAKATOS e MARCONI, 2005, p.35).
Compreendemos, então, que se esta técnica for realizada na perspectiva que temos defendido, favoreceremos entre nossos estudantes o desenvolvimento de procedimentos e atitudes de pesquisa, fundamento para ações de pesquisa a serem articuladas durante a elaboração de projetos e relatórios de pesquisa.

Objetivos e finalidades do seminário
Severino (1996) entende que o objetivo último de um seminário é levar todos os participantes a uma reflexão aprofundada de determinado problema, a partir de textos e em equipe. Para alcançar esse objetivo último, o seminário deve levar todos os participantes:
• A um contato íntimo com o tema básico, criando condições para uma análise rigorosa e radical do mesmo;
• À compreensão da mensagem central do texto, de seu conteúdo temático;
• À interpretação desse conteúdo, ou seja, a uma compreensão da mensagem de uma perspectiva de situação de julgamento e de crítica da mensagem;
• À discussão da problemática presente explicita ou implicitamente no texto.
Os itens apontados por Severino são excelentes critérios para avaliarmos o modo como temos direcionado o seminário em sala de aula e dicas relevantes para um redimensionamento, garantindo o desenvolvimento de habilidades apontadas pelo autor, tais como: análise metódica de temas, compreensão da mensagem central, análise e interpretação de dados e discussão de problemáticas.
Para Medeiros (2004), “(...) a finalidade do seminário é motivar para a pesquisa, é ensinar a aprender sem dependência do professor, monitor, orientador (...)”. Assim, destinamos ao seminário, assim como podemos tratar outras atividades de ensino-aprendizagem, o papel de favorecer gradativamente a autonomia [1], isto é, o aprender a aprender.


Atribuições no seminário
Quando propomos aos estudantes o desenvolvimento de atividades em grupo, vez por outra surge a queixa de que alguns colegas pouco colaboram. A divisão de responsabilidades no grupo tem sido uma das estratégias para superar este desafio. É interessante, nesse sentido, que isso aconteça logo nos primeiros encontros do grupo.
Lakatos e Marconi (2005) sugerem, na organização do seminário, as figuras de coordenador, organizador, relatores, secretário, comentadores e debatedores e informam as atribuições de cada um:
Coordenador: papel assumido pelo professor que: propõe temas a serem estudados; indica bibliografia inicial; estabelece agenda de trabalho; fixa duração das sessões: orienta as pesquisas; coordena a apresentação dos seminários, introduzindo o assunto geral e sintetizando as conclusões globais com a participação ou não da classe e do grupo expositor.
Organizador: figura que surge apenas quando o seminário é grupal e as tarefas são divididas entre seus integrantes. Suas principais atribuições são: marcar as reuniões prévias; coordenar as pesquisas e o material; designar os trabalhos a cada componente.
Relator(es): expõe os resultados dos estudos. Pode ser um elemento, vários ou todos do grupo.
Secretário: anota as conclusões parciais e finais do seminário, após os debates. Pode ser substituído pelo professor ou pelo organizador.
Comentador(es): pode ser um só estudante ou um grupo diferente do responsável pelo seminário. Estuda com antecedência o tema a ser apresentado com o intuito de fazer críticas adequadas à exposição, antes da discussão e debate dos demais participantes da classe.
Debatedor(es): correspondem a todos os alunos da classe. Participam depois da exposição e da crítica do(s) comentador(es), fazendo perguntas, pedindo esclarecimentos, colocando objeções, reforçando argumentos ou dando algumas contribuições. (LAKATOS e MARCONI, 2005, p.37).
Nesta sugestão vemos bem definido o papel do educador da disciplina e dos estudantes, visando a organização de todas as etapas da atividade, a garantia da participação e o estabelecimento permanente do debate, isto é, de possibilidades de construção coletiva do conhecimento.


Um roteiro para a organização do seminário
Quanto utilizamos a técnica de seminário na disciplina “História da Educação”, em 2008, reservamos um tempo em sala de aula para que os grupos pudessem se reunir, trocar idéias e planejar. Chamamos a este momento de oficina de seminário. Para nortear o trabalho nos grupos, apresentamos aos estudantes um roteiro com orientações e o disponibilizamos em suporte impresso. O roteiro que mencionamos é o seguinte:
A. Formação das equipes
O tema de nosso seminário é a História da Educação. No entanto, ele será estudado de maneira específica por meio de sub-temas distribuídos entre grupos. Os grupos já foram formados e os sub-temas distribuídos da seguinte forma:
07/04/2008 - Educação difusa;
14/04/2008 - Antiguidade oriental: a educação tradicionalista;
28/04/2008 - Antiguidade grega: a Paidéia;
05/05/2008 - Antiguidade romana: a humanitas;
12/05/2008 - Idade média: a formação do homem de fé;
19/05/2008 - Renascimento: humanismo e reforma.
B. Debate nas equipes
Uma vez constituídos os grupos, iniciaremos o debate em torno dos temas de seminários. Para isso, recomendamos a todos a leitura antecipada do texto-base indicado pelo professor e de outras referências levantadas por vocês, produzindo um resumo a ser entregue no primeiro dia da oficina.
Nesse momento de trabalho em grupos sugerimos que se realize a partilha de idéias que cada um considera importante e de dúvidas que surgiram por meio da leitura do texto-base. Enquanto isso, um secretário do grupo deve anotar as contribuições e entregar esse material para o professor. logo após o final do trabalho em grupo. O objetivo desse momento é estimular a aprendizagem colaborativa onde um enriquece o outro, partilhando suas idéias e dúvidas e ajudando-se mutuamente.
C. Elaboração do projeto de trabalho
Agora, nosso próximo passo é a elaboração do plano de trabalho, desenvolvendo as seguintes ações:

1. Escolher organizador, secretário, relatores, comentaristas e debatedores;


2. Registrar e organizar as idéias relevantes da temática (Resumo de idéias);


3. Programar pesquisa, tendo em vista o aprofundamento das idéias;


4. Definir como serão apresentadas as idéias e quais recursos poderão ser utilizados (Metodologia/Recursos);


5. Entregar ao coordenador do seminário (professor) o plano de trabalho. 


8. Concluindo
O relato que realizamos aqui é apenas um caminho que fomos trilhando para a realização de seminários. Nesse sentido, afirmamos que temos ainda muita curiosidade sobre o tema, desejando aprimorar cada vez mais esta técnica que, a nosso ver, possibilita o aprendizado significativo e colaborativo, pois se fundamenta em princípios como o aprender pela investigação e estabelecimento de comunidades de conhecimento.


Nota
[1] Para Demo (2000), “(...) a autonomia se forma com a colaboração/intervenção dos outros (...) A ligação talvez mais forte do saber pensar é a gestação da autonomia. Esta, todavia, é fenômeno social tipicamente, não só individual. Precisa de orientação. De um lado para tornar-se autônoma toda pessoa precisa de ajuda. De outro, tornando-se autônoma, deve saber dispensar a ajuda (...) Saber pensar não combina com cidadania tutelada, aquela que nos quer massa de manobra, submissos e ignorantes. Nem combina com cidadania assistida, porque aceita apenas a assistência necessária e tem como ideal viver sem assistência. Combina com cidadania antecipada, aquela que sabe o que quer, por que quer e como quer”. (DEMO, 2000, p. 18-19).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
DEMO, Pedro. Saber pensar. São Paulo: Corteza/ Instituto Paulo Freire, 2000.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 20. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 1996.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um relato sobre seminários

O seminário é uma técnica de ensino-aprendizagem bastante utilizada na graduação e pós-graduação. Nesses cursos alguns professores apresentavam textos de suas disciplinas e solicitavam a exposição do conteúdo por meio de seminários. Enquanto isso, nós estudantes víamos a quantidade de páginas e dividíamos o texto em partes para que cada um estudasse a sua e apresentasse em sala de aula, na data marcada pelo educador. Os grupos mais ousados até chegavam a combinar entre si a dinâmica de apresentação ou, antes disso, discutir idéias do texto, mas o que predominava era o improviso. Para ilustrar, cito um exemplo: havia aqueles que pediam para falar no final. Sabe por quê? Por que muitas não tinham lido suas partes e como estratégia, ouviam as exposições dos colegas e passavam a falar com base nestas, em caráter conclusivo. Que isso não sirva de estratégia para ninguém!
Mas onde estariam os equívocos destas práticas?
A meu ver existiam vários, dentre os quais relaciono alguns:
1. O fato do educador apresentar texto para que estudantes realizassem exposição do mesmo, inibia uma ação que é imprescindível para a preparação desta atividade: a pesquisa.
A indicação bibliográfica do educador é importante, mas, além disso, o mesmo precisaria estimular a pesquisa noutros textos ou fontes, porque o seminário deve ser um momento de exposição das descobertas realizadas pelos estudantes com relação ao tema proposto e isso acontece de maneira construtiva por meio da investigação;
2. Quando os estudantes se preocupavam com o tamanho do texto, isto é, com a quantidade de páginas, distribuindo-as igualmente entre os integrantes do grupo, o mesmo era fragmentado e na exposição, muitas vezes, uma contribuição vinha desconexa da outra.
Não vemos nenhum problema o caso de cada estudante ficar com uma parte do texto para apresentar, mas seria interessante se cada um realizasse sua exposição, tendo noção do todo, falando dentro de um contexto. Para isso, precisaria ler todo o texto e aprofundar-se em sua parte.
3. A fragmentação do texto e poucos combinados em grupo (planejamento da atividade) torna-se um obstáculo para o diálogo entre seus integrantes e destes com os demais estudantes da sala, sacrificando um outro aspecto a ser trabalhado na técnica que é a constituição de um espaço de debate, de confronto de idéias, de exposição de dúvidas e do colaborações que eventualmente podem acontecer por meio dos demais colegas de sala ou do educador.
Quando começamos a lecionar no ensino superior, pensando na superação destes equívocos, fomos adotando algumas iniciativas junto aos estudantes, tais como:
1. Antes de propormos a realização de seminários, discutíamos sobre o que é seminário [1], critérios para sua realização, necessidade do planejamento, importância da pesquisa na preparação desta atividade, trabalho em grupo, dentre outros.
2. Refletíamos com os estudantes sobre procedimentos, fontes de pesquisa e tratamento de informações, por que entendíamos não era suficiente apresentar um tema e requerer pesquisa a respeito;
3. Solicitávamos aos estudantes fichamentos individuais do texto recomendado e das informações colhidas noutras fontes. Isso forçava a participação de todos e a visão integral do texto-base;
4. Oferecíamos um momento em sala de aula, no dia da entrega dos fichamentos, para que os grupos se encontrassem. Nesse instante, recomendávamos discussão das idéias no pequeno grupo para, depois disto, pensarem no formato da apresentação (planejamento). Enquanto aconteciam os debates, visitava todos os grupos para eventuais esclarecimentos metodológicos e de conteúdos;
5. Recomendava a elaboração de uma espécie de plano de aula por grupo e a partir deste instrumento sugeria alguns ajustes.
Durante o debate sobre seminário, havia um critério que fazíamos questão de recomendar: que o seminário não acontecesse dentro da perspectiva da transmissão, isto é, que de um lado ficassem os expositores a apresentar idéias e de outro a platéia totalmente ouvinte. Nesse sentido, orientávamos aos grupos que em seus planejamentos pensassem em estratégias que fomentassem a participação de todos, o diálogo, a troca de saberes. Para nós é isso que faz como que o seminário o que de fato deve ser.
Desejamos ouvir os relatos de vocês quanto a vivências de seminários. Que tal construir um breve relato e enviar para nós?! Quem sabe possamos publicar os mesmos neste blog. Isso poderá ampliar nossas reflexões!

Retornem ao nosso blog daqui a alguns dias, pois produziremos outra postagem sobre mesmo assunto, discutindo conceito e apresentando uma proposta de encaminhamento desta atividade. Abraços!

[1] Entendemos que quando um educador indica a realização de uma atividade ou produção como fichamento, resenha, resumo, monografia, esquema, seminário, é preciso diagnosticar o que eles já sabem a respeito, discutir conceitos e tecer algumas recomendações. Nesse sentido, além de verbalizar, procuramos sempre realizar registro escrito, disponibilizando-o.

domingo, 4 de abril de 2010

Passos para elaboração do Plano de aula - Parte II

A programação
Relacionamos no conteúdo programático aqueles conceitos, procedimentos e atitudes que devem ser promovidos em torno de um tema. No plano de aula este item pode vir logo após os objetivos.
A metodologia
Visando atingir os objetivos propostos, o educador precisa delinear a metodologia, isto é, definir procedimentos que serão adotados em sala de aula, considerando, em especial, o foco temático, a realidade dos estudantes (o que é pertinente para eles, nível e ritmos de aprendizagem, por exemplo) e os recursos e tempo disponíveis.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Livros digitais para baixar

Mais uma novidade no Ateliê de Educadores! Abrimos em nosso blog uma página na qual apresentaremos links de sites que oferecem livros digitais completos e que podem ser baixados em seu computador. Para ter acesso, vá na coluna direita, canto superior, de nosso blog e procure o link "Sites - Livros digitais"

Passos para elaboração do Plano de aula - Parte I

O tema
A definição do tema é o primeiro passo para a elaboração do plano de aula. No registro escrito esta informação e outras mais – nome da escola, disciplina, nome do educador, por exemplo - ficam no item identificação, como nos modelos abaixo:
 Exemplo 01:
Exemplo 02:
Como podemos notar, não existe uma única maneira de organizar este elemento do plano de aula, nem uma disposição ideal. Portanto, cabe ao educador escolher aquela que considerar mais útel para seu trabalho.

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