sábado, 26 de maio de 2018

MESSEJANA: TRANSFORMAÇÕES DEPOIS DA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

Por Ricardo Sanabria*
Em 2004 avistei Messejana por primeira vez, até então só a conhecia de imaginação pela Iracema de José. Entrei na Fortaleza. Perambulei no Centro, “aperriado” conheci o que é ruma de gente, interiorano impressionado com a opulência, pus-me a encontrar trabalho, anda, sobe e desce, cheguei esbaforido e sedento a frente do Coração de Jesus, respirei e lá resolvi num expresso tentar a minha messe. Messejana, li. Subi. Admirei de passo o arrodeio da lagoa e no terminal saltei. - Daqui não me perco - pensei. Saí com vontade de porta em porta, pastinha, curriculum e carta de apresentação, fui por traz da lagoa e suas mansões, havia galpões e terrenos, caminhões e depósitos, escritórios eram poucos e empresas pequenas não existiam, a muros e guaritas relatei meu intento, quase ninguém nas ruas, aparente abandono. O centro comercial é para o outro lado – diziam, e eu, perdido, do Centro já havia saído. Tenta aqui e ali. Quando minha “vareda” encontra uma estrada, continuação do Fio, a rua Coletor, sorte grande e antes mesmo do terceiro dia sentei em reunião numa empresa que nascia.

Caminho calmo tinha cara de nada, as voltas do almoço que faminto buscava, vi que aquela messe era desprovida de serviços. Lanches, mercados e padarias existiam muito espaçadamente, numa prosa, nem de todo perdida, alguém disse. – Tem sempre show aí perto. - e sempre tinha forró. Lembro que ao encerrar a labuta, na rua só se via o movimento dos forrós em esparsas sextas, nunca fiquei, saía no deserto que acessa a BR e ali o Pau de Arara. Na empresa iniciante, poucos clientes e quase nenhum empregado. Eu, caminho contrário, sempre passei pelo beco do Banana Café, para alcançar o terminal despovoado e embarcar no meu repouso, ali existia gente, tímido, não posso ousar, mas grande não era o movimento.  

No Grande Circular seguia observando a escura das ruas e não entendia como tão belo lugar seria assim, economicamente pacato. Raras mecânicas rudimentares e terrenos escondiam um ou outro balcão de pinga que servia refeição. Residências e minguados prédios distantes, jovens poucos e raros estudantes. 51 perfumado por sereias da Beira-Mar atravessou Messejana e ao lado do estádio - ¿ jogo? Pensei alto, tem mais não, responderam produzidos sorrisos, silenciei e com paixão olhei a Ypióca lá embaixo e sua secular história de suor ardido.

Quatorze anos não são duas semanas não. Muito se transformou aquela Messejana depois da instalação da Faculdade Ateneu na área. Onde só existiam caminhões, muros e matagais, hoje se veem estudantes, apressados por seu futuro, esfomeados de saber, consomem nas calçadas dos lanches e em mercados que não existiam. Sedentos de vida, riem, debatem e dão graça à seriedade da formação. Carregam consigo essa força transformadora. Prédios altos ergueram-se, residenciais limparam os matagais e carros lotam estacionamentos. Murmurinho de multidão profusa do antigo Fio até bairros afastados, terminal lotado, hoje renovado. O entorno da empresa já com alguns clientes e empregados não é mais despovoado, seguranças, cafés, restaurantes, academias e outras facilidades se instalaram nas proximidades, impensado era passear com civilidade por aquele lado da lagoa no escurecer, hoje parece comum e atrativo.  

No 51, agora menos perfumado e quase sala de leitura, é comum ouvir revisões e conferências estudantis. As mecânicas perduram repaginadas em novas ou reformadas. Urbanizações civilizadas são grande avanço no mundo. Não sei se menos apressado ou mais enternecido, vejo hoje maiores garças no espelho d’água, um atraente “fundo do terminal” e mais graça em minha messe. Iracemas viçosas por ruas e corredores, vezes vejo-as descobrindo a vida ali nos arredores da Lagoa de Messejana. Sou imensamente grato por isso.

*Administrador, Palestrante e Orientador Organizacional. Trabalha com educação superior há vinte anos, e desde 2008 é professor da Faculdade Ateneu.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

PLANEJAMENTO DE CARREIRA COMO FERRAMENTA NECESSÁRIA DO PROFISSIONAL MODERNO

Por Profº Dr. Ernesto Cezar X Castro Filho

O mercado de trabalho atual, complexo e competitivo exige do indivíduo, ampla formação capaz de garantir sua participação como membro ativo da sociedade, despertando a necessidade da busca de uma qualificação que possa inseri-lo nesse novo mercado, considerando a satisfação funcional e salarial básicas e a postura de profissional que almeje uma carreira de sucesso.

A constante exigência de produtividade e de metas definidas nas organizações e o surgimento de novas profissões vêm provocando mudanças importantes nas relações entre o capital e o trabalho, fazendo com que o profissional tenha necessidade de aprimorar sua qualificação e formular um plano de carreira que possa facilitar sua empregabilidade.

Dutra (2012) define carreira como uma sequência de cargos ou posições ocupadas através de eventos comportamentais, associados as competências e as experiências relacionadas ao trabalho durante um período de vida. Entende o plano de carreira como um programa de ações estruturado que determine o caminho para o desenvolvimento profissional do empregado dentro da organização. Os resultados desses planos nem sempre são lineares, são permeados de eventos inesperados, estando em constante construção e desconstrução. Isto é, diferentemente do que pensa inicialmente o indivíduo ao formular um plano de carreira, acredita que ao pô-lo em prática, sua carreira terá um desenvolvimento linear, que o levará rapidamente ao sucesso e a satisfação profissional.

Na prática, observa-se que a construção de uma carreira deve estar alinhada com as expectativas dos profissionais como também das empresas, enfatizando dessa forma a necessidade de um sistema de administração de carreira.

Para Dutra (2012), a administração de carreira é uma ferramenta que tem como finalidade a conciliação das expectativas de desenvolvimento da organização com as expectativas do trabalhador, tanto nos aspectos profissionais como pessoais. Salienta também que a responsabilidade do planejamento de carreira é prerrogativa do empregado, enquanto que a administração da carreira deve ser da empresa, através da gestão compartilhada e do gerenciamento de oportunidades.



Savioli (1991) estabelece a carreira como uma estrutura sistêmica e que a atividade profissional deve estar relacionada com o seu meio ambiente no decorrer de sua vida laboral. Salienta a importância do autoconhecimento com as várias experiências tanto profissionais como pessoais no seu ambiente de trabalho atual e futuro. O modelo proposto pelo autor descrito no manual de autoconhecimento estabelece quatro ações que o trabalhador deve fazer antes de criar seu plano de carreira:
1. Registrar o que você gosta de fazer, independentemente do que você é obrigado a fazer por dever profissional; do que você não gosta de fazer, esteja ou não sendo levado a praticar; do que sabe fazer bem, forma de concretizar habilidades e atitudes; do que não sabe fazer bem. Estes registros devem ser efetuados em três campos: o individual e familiar, o social e o profissional.
2. Visualização do futuro, descrevendo como você projeta seu futuro para daqui a cinco anos em termos de composição familiar, saúde, lazer, situação econômica, desenvolvimento cultural do cônjuge e dos filhos, autodesenvolvimento, comunidade e vida espiritual.
3. Realização de um balanço da situação atual em relação ao projetado e estabelecimento de mudanças desejadas.
4. Projeções de mudanças no cenário profissional para os próximos cinco anos e análise de como elas poderiam interferir em sua visualização do futuro, tais como: mudanças políticas, sociais, econômicas, culturais, tecnológicas, etc.

Outro aspecto relevante para a elaboração do planejamento de carreira é o conhecimento por parte do trabalhador das diversas âncoras de carreira. Podemos citar algumas propostas por diversos autores que poderão facilitar na tomada de decisão. Competência técnica/funcional - caracterizada por pessoas que se consideram conservadoras, evitando mudanças radicais, preferem prosseguir usufruindo e mantendo suas habilidades técnicas atuais; competência de gestão – representada por pessoas que têm características de liderança mais desenvolvidas, no qual as competências a serem ampliadas são as de gestão, vinculadas as relações interpessoais; segurança - é caracterizada por pessoas que buscam a segurança e diz respeito ao receio de serem remanejadas, expatriadas ou de mudar de empresa; criatividade – caracterizada pelos empreendedores, pessoas que buscam sempre a inovação, desenvolvendo as mais diversas ações de maneiras jamais realizadas e autonomia/independência - trata da ideia de sair da formalização imposta pelo ambiente organizacional, evitando regras, normas e regulamentos na busca de liberdade.


O trabalhador deve alinhar uma dessas âncoras as suas competências e habilidades. O trabalhador deve traçar planos para sua vida pessoal e profissional, elaborando um planejamento de carreira no qual deverá seguir algumas etapas. Primeiro deve buscar informações precisas sobre a carreira pretendida, envolver pessoas experientes, ter intuição e ousadia, comprometer-se com as ações estabelecidas, avaliar constantemente todos os passos planejados e determinar o ambiente de crescimento se, o trabalhador quer crescer dentro da empresa e da ocupação, ou dentro da empresa e fora da ocupação, ou mesmo dentro da ocupação e fora da empresa ou ainda fora da ocupação e fora da empresa.

Alguns cuidados deverão ser observados pelo trabalhador, conhecer as limitações externas (mundo) e as internas (limitações pessoais); deve definir metas; jamais desviar o foco, determinar o ponto que se deseja alcançar; sempre planejar, organizar, coordenar, controlar as ações que devem ser executadas e criar objetivos de carreira de longo prazo (três a cinco anos), de médio prazo (um a três anos) e de curto prazo (um ano).

Ao agir baseado nestas considerações o trabalhador terá maior facilidade nas tomadas de decisões em relação a sua carreira, auxiliando dessa forma o seu desenvolvimento profissional e pessoal.


* Prof. Dr. Ernesto Cezar Xerez de Castro Filho - Doutor em Ciência da Educação pela Universidade UDELMAR do Chile com validação da Universidade Federal do Ceará UFC. Especialista em Administração de Negócios pelo Instituto de pós-graduação da Faculdade Ateneu. Professor das disciplinas: Estratégia Empresarial, Tópicos Especiais em Administração e Economia de Empresa da Faculdade Ateneu - FATE.

terça-feira, 15 de maio de 2018

MARKETING PARA ENTENDER A POLÍTICA

Por Danilo Ramalho*



O eleitor brasileiro está cada vez mais preparado para exercer a cidadania através do voto. Uma democracia só se torna madura com a maturidade de seus povo e isso vem acontecendo a cada eleição e já ganha corpo para este ano. É um treino.

Depois de duas décadas de regime militar, quando o voto direto estava proibido, o povo se tornou distante da prática democrática. Se não praticava não poderia saber eleger bem. Um exemplo está em nossa primeira eleição direta para presidente. Sem experiência no assunto, e encantada com até então desconhecidas estratégias de marketing eleitoral, escolhemos um governante que sofreu um processo de impeachment pouco mais de dois anos de sua eleição. Repito: éramos inexperientes no assunto.


Com três décadas de democracia, estamos ficando mais atentos sobre quem merece nosso voto. E, se os eleitores amadurecem os políticos tendem a seguir o mesmo processo, porém, de forma mais lenta, afinal, estão sempre inebriados com o status quo do poder. É lento, mas acontece.
No Marketing de Mercados, ensinamos que todo produto passa por um ciclo de vida: surge no mercado, é descoberto pelo consumidor, vira motivo de desejo, vende muito e, se não acontecer um constante reposicionamento da marca/produto, tende a desaparecer. Com isto em mente, basta raciocinarmos sob a operação de um terceiro modelo de Marketing, o Político. Para este, o mandatário eleito também passa pelo mesmo ciclo, ou seja, se não se reposiciona frente aos eleitores, não tem porquê permanecer existindo no cenário eleitoral.
A velha moeda de troca ainda teima em persistir: “Você me dá seu voto e eu lhe dou um saco de cimento”. Mas, a tendência é que os velhos políticos desapareçam, iguais aos produtos que ficaram obsoletos pelo advento de novas tecnologias, esquecidos nas prateleiras empoeiradas de algum armazém. O ciclo de vida também se fecha para eles.

* Danilo Ramalho, MsC. Mestre em Gestão de Negócios, Especialista em Marketing e Jornalista. É professor da Faculdade Ateneu desde 2015.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

DESERTIFICAÇÃO NO NORDESTE BRASILEIRO: CAUSAS, CENÁRIO ATUAL E PERSPECTIVAS

Por José Ronildo Reis Franceschini*


A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação conceitua a desertificação como o processo de degradação das terras das regiões áridas, semiáridas e sub-úmidas, resultante de diferentes fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas. Estão ligados a esse conceito as degradações do solo, fauna, flora e recursos hídricos.

No caso do solo, sua degradação resulta de processos naturais que podem ser induzidos ou catalizados pelo homem. O processo de degradação dos solos produz a deterioração da cobertura vegetal, do solo e dos recursos hídricos. Através de uma série de processos físicos, químicos e hidrológicos essa deterioração provoca a destruição tanto do potencial biológico das terras quanto da capacidade das mesmas em sustentar a população a ela ligada.

No Brasil, o Plano Nacional de Combate à Desertificação (PNCD) considerou que a grande maioria das terras suscetíveis à desertificação se encontra nas áreas semiáridas e sub-úmidas do Nordeste. A quantificação dessas áreas mostra que cerca de 181.000 Km2 (o que corresponde a aproximadamente 20 % da área semiárida da região Nordeste), se encontram em processo de desertificação. Neste contexto, as áreas semiáridas do Brasil representam desafio para o aumento da produtividade e a melhoria dos recursos naturais devido às suas características de incertezas nas precipitações pluviométricas, fertilidade dos seus solos e pressões populacionais em ambiente tipicamente frágil.



Atualmente esse problema vem se agravando graças às recentes secas que assolaram o Nordeste.  “Na maior parte dessas áreas predominam solos rasos e uma cobertura vegetal esparsa de caatinga hiperxerófila” Sob estas condições e nos locais onde os agro ecossistemas são dependentes de chuva, a perda de solo por erosão é o principal fator que conduz as perdas das terras produtivas do semiárido.



*Aluno da UECE e orientado pelo INPE no curso de Mestrado Profissional em Climatologia e Aplicações nos Países da CPLP e África. Especialista em Administração e Segurança de Sistemas Computacionais; Graduado em Matemática; Graduado em Gestão de Pequenas e Médias Empresas, Tecnólogo em Eletrotécnica.

sábado, 7 de abril de 2018

PsicoEstimular




Conheça o meu mais novo blog: PSICOESTIMULAR. Nele trato especificamente de assuntos, jogos e atividades relacionados à Psicopedagogia.
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Dia dos Namorados


No século III, o imperador romano Cláudio II, por compreender que homens solteiros eram melhores combatentes, proibiu a celebração de casamentos por ocasião das guerras.
Valentim, bispo católico, realizava secretamente o casamento de jovens que o procuravam, contrariando as ordens do referido imperador. Por ser descoberta a sua iniciativa, foi condenado à morte por decapitação.
Estando preso, conheceu e se apaixonou por Asterius, jovem cega e filha de um carcereiro. Com ela manteve contato por meio de troca de bilhetes de conteúdo amoroso. Antes de sua morte, no dia 14 de fevereiro de 247, Valetim elaborou um breve texto de adeus endereçado a Asterius, assinando-o com o termo “Seu Valentim”.


Valetim foi executado em dia próximo à festa romana celebrada em homenagem à deusa do matrimônio e da mulher (Juno) e ao deus da natureza (). Nessa festa, também conhecida como lupercais (festa pagã realizada em Roma que tinha por propósito uniões sexuais), sacerdotes percorriam a cidade e açoitavam mulheres com correias de couro de cabra, acreditando que isso garantia a fecundidade delas.
No ano de 496 o Papa Gelásio I estabeleceu o dia de São Valentim como o dia dos namorados, visando combater a celebração em homenagem a deusa Juno, considerada de tradição pagã.
Em tempos medievais, 14 de fevereiro correspondia ao primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Simbolicamente, rapazes nessa época costumavam deixar mensagens de amor na beira da porta das moças pelas quais tinham interesse.
Em países como a Inglaterra e a França do século XVII, o Dia dos Namorados passou a ser comemorado no dia de São Valentim.
Ainda hoje, em países como os Estados Unidos e o Japão, o dia dos namorados é comemorado no dia 14 de fevereiro, recebendo o nome de Valentine's day. 

No Brasil, o dia dos namorados passou a ser comemorado a partir do ano de 1949, primeiramente em São Paulo. A ideia foi promovida pela agência Standart Propaganda como solução para estimular vendas no comércio num período do ano em que as vendas eram baixas. Nesse sentido, com o slogan "Não só de beijos vive o amor", criado pelo publicitário João Dória, a data escolhida para comemorar os namorados foi 12 de junho, véspera do dia dedicado a Santo Antônio, popularmente conhecido como o santo casamenteiro.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Algumas frases de Michel Foucault



“A disciplina é um princípio de controle da produção do discurso. Ela lhe fixa os limites pelo jogo de uma identidade que tem a forma de uma reatualização permanente das regras.” (Michel Foucault)

“A heresia e a ortodoxia não derivam de um exagero fanático dos mecanismos doutrinários, elas lhes pertencem fundamentalmente.” (Michel Foucault)

“A heresia e a ortodoxia não derivam de um exagero fanático dos mecanismos doutrinários, elas lhes pertencem fundamentalmente.” (Michel Foucault)

“A norma, está inscrita entre as “artes de julgar”, ela é um princípio de comparação. Sabemos que tem relação com o poder, mas sua relação não se dá pelo uso da força, e sim por meio de uma espécie de lógica que se poderia quase dizer que é invisível, insidiosa.” (Michel Foucault)

“A ordem é ao mesmo tempo aquilo que se oferece nas coisas como sua lei interior, a rede secreta segundo a qual elas se olham de algum modo umas às outras e aquilo que só existe através do crivo de um olhar, de uma atenção, de uma linguagem...” (Michel Foucault)

“As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas.” (Michel Foucault)

“Mas a relação castigo-corpo não é idêntica ao que ela era nos suplícios. O corpo encontra-se aí em posição de instrumento ou de intermediário; qualquer intervenção sobre ele pelo enclausuramento, pelo trabalho obrigatório visa privar o indivíduo de sua liberdade considerada ao mesmo tempo como um direito e como um bem. (…) O castigo passou de uma arte das sensações insuportáveis a uma economia dos direitos suspensos.” (Michel Foucault)

“Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo.” (Michel Foucault)


“Utopia do poder judiciário: tirar a vida evitando de deixar que o condenado se sinta mal, privar de todos os direitos sem fazer sofrer, impor penas isentar de dor.” (Michel Foucault)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sociologia - Uma síntese


O que é a Sociologia
Do latim socius, sócio, e do grego «λóγος», logos, é a ciência social que estuda os fenômenos coletivos produzidos pela atividade social dos seres humanos, dentro do contexto histórico-cultural no qual se encontram imersos.

História da Sociologia
Surgiu como ciência a partir de três revoluções que ocorreram na Europa ao longo XVIII:
1. Revolução Industrial à consolidou o capitalismo diante do feudalismo medieval;
2. Revolução Francesa  à em nome da igualdade, da liberdade e da fraternidade colocou no poder a burguesia, destronando a nobreza e o clero;

3. Revolução Cultural (Iluminismo) à supervalorização da razão, da ciência e da técnica. Responsável pelo modo de vida característico da modernidade.


A formação da Sociologia como ciência se deu no século XIX com a definição de seu objeto de estudo e a metodologia a ser utilizada, a partir do posicionamento dos pensadores em relação ao contexto revolucionário no século anterior.

Tendências da Sociologia em sua origem
Conservadores: buscavam reorganizar a sociedade com base nos valores da sociedade feudal: família, propriedade, autoridade e religião.
Autores: Edmund Burke, Joseph de Maistre e Louis de Bonald.

Positivistas: apesar da influência dos conservadores, eram otimistas em relação ao desenvolvimento do capitalismo industrial e que trabalharam para consolidar a ordem e o progresso.
Autores: Saint Simon, Augusto Comte e Émile Durkheim.


“O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim” (Auguste Comte)

Socialistas: pautaram as contradições do capitalismo e propuseram sua superação pelo socialismo científico a partir do trabalho de Karl Marx e F. Engels para os quais a luta de classes deveria ser o objeto de estudo da sociologia.

Objetos de estudo da Sociologia

A base teórico-metodológica da Sociologia estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições.

Enquanto ciência, se desvincula das preocupações transcendentais.

Antecedentes do estudo sociológico

Heródoto, no século V a.C., efetuou uma descrição de povos e seus costumes.

Jaldún, século XIV d.C, cunhou a palavra llm al Urman ‘A ciência da sociedade’, também criou teorias sobre a sociedade e descreveu as sociedades do Magreb.

Voltaire, Montesquieu e Vico se inteiravam em analisar as instituições sociais e políticas europeias.

Lord Kames inicia a análise das causas das mudanças sociais.

Joseph de Maistre e Edmund Burke procuraram saber as razões das mudanças e estabilidade existentes na sociedade.

Henri de Saint-Simon (1760-1825) - primeiro a defender uma teoria e pesquisa científica dos fenômenos sociais = vontade de criar uma ‘física social’, ou seja, um conhecimento indiscutível da sociedade da mesma forma que a Física (Positivismo).

Auguste Comte, secretário de Saint-Simon entre 1817 e 1823, desenvolveu suas teorias sob as premissas do positivismo.

Von Stein (1815-1890) introduziu o conceito de sociologia como ciência (Die Wissenschaft der Gesellschaft), incorporando ao seu estudo o que chamou ‘Movimentos Sociais’ e a dialética hegeliana.

Alexes de Tocqueville (1805-1859) - reconhecido como um dos precursores da sociologia por seus estudos sobre a Revolução Francesa e sobre os Estados Unidos (A Democracia na América, publicado entre 1835-1840).

Sociologia, uma ciência
Émile Durkheim, que se inspirou em algumas teorias de Auguste Comte para renovar a sociologia, queria em particular ‘estudar os feitos sociais como se fossem coisas’. 

Um dos objetivos da sociologia era desenvolver-se como uma ciência autônoma.

Durkheim procurou distinguir a sociologia da filosofia por um lado e da psicologia por outro. Considera-se Durkheim como um dos pais da sociologia.

Weber acreditava que o objeto de estudo da sociologia é a ação social, contestando as teses de Marx e Engels, negando o determinismo econômico e afirmando que somente a investigação de cada caso poderá indicar qual é o determinante em cada situação social.

Para que a sociologia?
A produção sociológica pode estar voltada para conceber uma forma de conhecimento comprometida com emancipação humana. Mas pode ser um instrumento para legitimar a dominação.  Pode ser orientada como uma “ciência da ordem”.

Principais autores da Sociologia
Auguste Comte - criador do positivismo e da disciplina de Sociologia.


Razão e ciência = únicas vias da humanidade capazes de instaurar a ordem social sem apelar para o subjetivismo teológico e metafísico.

Todas as ciências formavam uma hierarquia, de maneira que cada nível dessa hierarquia dependia do anterior, de acordo com a complexidade dos fenômenos estudados. Na base de tal hierarquia deveriam estar a matemática, seguida da mecânica, a física, a química, a biologia e, por último, encabeçando a pirâmide das ciências se encontrava a Ciência da Sociedade: A Sociologia.

A sociologia = uma nova religião laica da humanidade.

Método positivista: os problemas sociais e morais devem ser analisados a partir de uma perspectiva científica positivista que se fundamente na observação empírica dos fenômenos e que permita descobrir e explicar o comportamento das coisas nos términos de leis universais suscetíveis de ser utilizadas em proveito da humanidade.

Émile Durkheim



Se preocupou em criar regras para o método sociológico, garantindo-lhe um status de saber científico.

À sociologia caberia estudar somente os “fatos sociais”, e estes consistiriam em maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção sobre este mesmo indivíduo.

Fato social = qualquer forma de indução sobre os indivíduos que é tida como uma coisa exterior a eles, tendo uma existência independente e estabelecida em toda a sociedade. Norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo.

Marx Weber


Enquanto para Émile Durkheim a ênfase da análise recai na sociedade, para o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) a análise deve centrar-se nos atores e suas ações.

A sociedade deve ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais reciprocamente referidas.

Ação Social = qualquer ação que o indivíduo pratica orientando-se pela ação de outros.


Ilustrando a Ação Social
Imaginemos dois ciclistas que andam na mesma rodovia em sentidos opostos. O simples choque entre eles não é uma ação social. Mas a tentativa de se desviarem um do outro já pode ser considerada uma ação social, uma vez que o ato de desviar-se para um lado já indica para o outro a intenção de evitar o choque, esperando uma ação semelhante como resposta. Estabelece-se, assim, uma relação significativa entre ambos.


A Sociologia, na interpretação de Weber, é uma ciência que tem por objeto compreender claramente a conduta humana e fornecer explicação causal de sua origem e resultados.

Karl Marx


A luta de classes é um conceito ou uma teoria que explica a existência de conflitos sociais como resultado de um suposto conflito central ou antagonismo inerente a toda sociedade politicamente organizada entre os interesses de diferentes setores ou classes sociais.

Nossa época não eliminou o antagonismo das classes, mas a converteu em mais simples, já que a sociedade vai se separando em dois grandes campos inimigos: a burguesia e o proletariado.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Algumas ideias de Hanna Arendt


Os homens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual eles entram em contato torna-se imediatamente uma condição de sua existência. A existência humana seria impossível sem as coisas, e estas seriam um amontoado de artigos incoerentes, um não-mundo, se esses artigos não fossem condicionantes da existência humana.

O “trabalho” refere-se ao ciclo vital dos homens e diz respeito àquilo que é próprio do animal laborans. A “obra” trata da mundanidade artificial e está associada à condição do homo faber. Por fim, a “ação” é a mediação da vida política e corresponde à condição humana da pluralidade.

Política = ação e processo = conquista da liberdade.

O homem só pode assumir a sua condição humana se exercer tudo o que é seu por direito, ou seja, se conjugar a vita activa e a contemplativa. A dissociação dessas duas esferas, que são humanas por excelência, nos mostra homens incapazes de agir e refletir, que produziram sociedades incapazes de agir e refletir, sociedades onde só se cumpriam ordens. 
A preservação da liberdade só é possível se as instituições pós-revolucionárias interiorizarem e mantiverem vivas as idéias revolucionárias.

Os homens perderam o poder de julgar no meio de um grupo sobre a realidade do mundo. Por outro lado, existe uma supressão dos regimes totalitários que visam benefícios para poucos.

A via totalitária depende da banalização do terror, da manipulação das massas, do acriticismo face à mensagem do poder. A ação coercitiva e violenta do Estado totalitário, tende a supressão da diversidade e da subjetividade, bem como a negação dos mais elementares direitos humanos.


Os homens ganham excelência na atividade de trabalho e perdem em capacidade de discurso e de ação, o que coloca o problema da despolitização dos sujeitos e do crescente pragmatismo e instrumentalização do mundo. Com a redução do espaço público como espaço de ação, tem-se o predomínio do animal laborans e do homo faber sobre o zoonpolitikon.

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