terça-feira, 29 de maio de 2012

Curso gratuito de História da Bahia

terça-feira, 29 de maio de 2012
O Centro de Memória da Bahia e o Instituto Anísio Teixeira realizam o curso Ensino de História da Bahia entre junho e novembro de 2012, com o objetivo de promover debate sobre a instrução de História da Bahia, com vistas a formar profissionais capacitados para ministrar diferentes temas da história da Bahia nos ensinos fundamental e médio em nosso estado.
Segue programação em anexo.

Inscrições gratuitas para professores da rede pública estadual e alunos de história.
Cmb.fpc@fpc.ba.gov.br
3117-6067

sábado, 14 de abril de 2012

Como eu vejo a TEORIA na educação?

sábado, 14 de abril de 2012
A teoria é uma força que não podemos ignorar. Ela está a serviço de toda e qualquer ação.
A teoria nunca pode estar dissociada da prática.
Uma teoria é criada a partir de um olhar sobre uma realidade. É interpretativa e propositiva.
Não há prática que não esteja fundamentada por uma teoria.
Sendo a prática uma atitude política, devemos conhecer bem (ter/com consciência) a teoria na qual nos apoiamos.
A teoria está aí para ser testada, para ser posta à prova.
Se a teoria demonstra fragilidade, aí encontro uma lacuna e a partir disso posso elaborar nova teoria capaz de iluminar a ação.
A teoria é sempre resposta a desafios do contexto e do tempo. Pode ela colaborar com a reprodução ou com transformação da realidade.
O diálogo com a teoria, na sua relação com a prática, é um exercício de autoria.
Teorias, às vezes, são livros que depositamos na estante de nossa casa, mas que não abrimos, nem apreciamos. Como, então, compreender o seu valor?!

O que aqui escrevo é teoria e, com tal, encontra-se aberto ao questionamento e ao enriquecimento por outros olhares mediatizados pelo diálogo.

sábado, 7 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012
A Fundação Pedro Calmon, através do Centro de Memória da Bahia, convida todos a participar da 10ª edição do Conversando com sua História,  que ocorrerá entre abril e outubro de 2012. no módulo Escravidão e Liberdade, discutido no mês de abril, teremos a palestra intitulada Índios, colonos e autoridades régias na colonização reformista da antiga capitania de Porto Seguro, que será ministrada pelo Prof. Ms. Francisco Eduardo Torres Cancela (UNEB). Contamos com sua participação!

Local: sala Kátia Mattoso, 3º andar da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris)
Data: 09 de abril de 2012
horário: 17h
Inscrições gratuitas.
3117-6067

Entrada Franca. Certificado para aqueles que atigirem 75% de participação em todo o curso.

Resumo
A palestra pretende analisar as experiências vividas por índios, colonos e autoridades régias na antiga Capitania de Porto Seguro, entre a segunda metade do século XVIII e princípios do XIX. Ao mergulhar no contexto de reformas do reinado de d. José I, a exposição discutirá um projeto metropolitano que pretendia fazer do atual extremo sul da Bahia um celeiro de víveres para alimentar as principais cidades da América portuguesa. Baseado no aproveitamento da população indígena, a realização deste projeto foi delineada através de um intenso embate entre políticas indigenista e políticas indígenas, evidenciando não apenas a importância da questão indígena para a colonização daquela região, como também as diversas estratégias desferidas pelos índios a fim de conquistarem melhores condições de vida naquela sociedade.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Dia internacional da mulher

segunda-feira, 5 de março de 2012
Em 8 de março celebraremos novamente o Dia Internacional da Mulher. A origem desta data comemorativa encontra-se associada aos movimentos feministas que buscavam mais dignidade para as mulheres numa sociedade que ainda no século XVIII impunha às mulheres péssimas condições de trabalho, restrição aos espaços públicos e à cultura, exploração sexual, preconceito de gênero, dentre outras questões que feriam a cidadania das mulheres.

8 de março de 1857, na perspectiva capitalista, é uma data de referência para a comemoração do dia das mulheres, pois neste dia 129 tecelâs novaiorquinas da fábrica de tecidos Cotton foram trancadas e queimadas vivas no próprio ambiente de trabalho por iniciativa da polícia da época e dos donos da empresa, por reivindicarem melhores condições de trabalho, o direito de redução da jornada de trabalho diária de 16 horas para 12 horas, equiparação de seus salários aos dos homens e digno tratamento no ambiente de trabalho.

Durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca (1910), a feminista Clara Zetkin sugeriu que, em recordação às operárias de Nova Iorque – Estados Unidos da América, o 8 de março foi considerado Dia internacional da Mulher.

Em 1975, a Organização das Nações Unidasdeclarou a década de 1975 a 1985 como a década da mulher, reconhecendo o 8 de março como o seu dia. Em 1977, a Unesco considerou oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas.

Em vários países a data vai além do caráter comemorativo. Além de homenagens às mulheres fazem-se conferências, seminários com o intuito de refletir sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea, tendo em vista a superação do preconceito e das diferenças de gênero.

Pesquisadoras como Dolores Farias (UFC) e Naumi Vasconcelos (UFRJ), de acordo com Gionotti (2004), põem em questão a origem do oito de março, levantando a possibilidade do evento de 1857 nunca ter existido, baseando-se na obra de Renée Côté (1984): “O Dia Internacional da Mulher – Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas”. A esse respeito, informa Gionotti (2004) que:

A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.
Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia.
Essa confusão se deu por motivos históricos políticos, ideológicos e psicológicos que ficarão claros no fim do artigo.
Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.
Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque.
Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.
Mas, na França, essa confusão não foi aceita tranqüilamente por todas e todos. O jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco.

As controvérsias estão postas. Salve a historiografia! Às mulheres socialistas devemos a real origem do dia internacional das mulheres.

Referência
GIANNOTTI, Vito. O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas. Disponível em: <http://www.piratininga.org.br/publicacoes/mulher-miolo.pdf>. Acesso em: 05 Mar. 2012.


Frases para o Dia da Mulher
A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte. (Oscar Wilde).

Não se nasce mulher: torna-se. (Simone de Beauvoir).

A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova. (Léon Tolstoi).

O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso. (Friedrich Nietzsche)

Cuida-te quando fazes chorar, uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas... A mulher foi feita da costela do homem e não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior... E sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada! (Provérbio judaico)

Existem três coisas que os homens podem fazer com as mulheres: amá-las, sofrer por elas, ou torná-las literatura. (Stephen Stills)

A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir. (Immanuel Kant)

Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes. (Khalil Gibran)

Acredito que o talento especial da mulher é elétrico em movimento, intuitivo em função e espiritual em tendência. (Margaret Fuller)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Lev Vygotsky - Uma cronologia e etapas da produção intelectual

quinta-feira, 1 de março de 2012
05/11/1896 – Lev Vygotsky nasceu em Orsha – Rússia.
1897 – Acompanha sua família para Gomel, localidade próxima à Bielo-Rússia onde tinham sido instalados os judeus, na Rússia tzarista.
1913 – Terminou os estudos secundários no Liceu reservado a crianças judias (Gymnasium judaico de Gomel), obtendo diploma com medalha de outro. Antes de entrar no Liceu, recebeu em domicílio e de um preceptor a sua instrução primária. Apesar de ser considerado aluno notável, teve dificuldade, por ser judeu, de entrar na universidade de sua escolha.
1917– Concluiu seus estudos universitários, realizados ao mesmo tempo na Universidade de Moscou e Universidade Chaviavski. Estudou História, Filosofia, Psicologia e Literatura. Retorna a Gomel e torna-se professor em escola estadual até 1924, ano em que se casou com Rosa N. Smejova.
Períodos relevantes da vida intelectual de Lev Vygotsky:
Primeiro período (1917 a 1924)
Destacou-se em Gomel pela (co)organização de encontros literários, apresentando e discutindo obras de escritores e poetas clássicos e modernos. Redigiu críticas literárias e teatrais, conhecendo muitos artistas e intelectuais da época. Atuou também no Instituto de Formação de Professores de Gomel, estabelecendo aí um laboratório de Psicologia e efetuando suas primeiras experiências em psicologia.
Realizou conferências sobre temas ligados à Psicologia e à Pedagogia e preparou grande parte da obra “Psicologia Pedagógica”.
1920 – Tem sua primeira crise de tuberculose, doença que o atormentaria pelo resto de sua vida.
1924 – Vygotsky apresentou comunicação sobre “Os métodos da pesquisa em Reflexologia e em Psicologia”, no II Congresso Pan-russo de Psiconeurologia, criticando a reflexologia de Pavlov e de Bekhterev. Retomou, com profundidade, a crítica da reflexologia em outubro do mesmo ano, na Conferência de Psicologia de Moscou, em conferência com o título “A consciência como problema da psicologia do comportamento”.
Foi convidado a trabalhar no Instituto de Psicologia Experimental de Moscou, então dirigido por Kornilov. Esse instituto exerceu forte influência sobre o desenvolvimento do pensamento científico de Vygotsky.
Dedicação de Vygotsky à educação de crianças deficientes, participando da fundação do Instituto de Defectologia.
 
Segundo período (1924 a 1934)
1925 – Apresentou comunicação ao Congresso Internacional sobre a educação de surdos-mudos, em Londres, visitando diversos laboratórios de Psicologia. Retornando a Moscou, foi novamente atacado pela Tuberculose, obrigando-se a internasse em sanatório, no qual redigiu manuscrito sobre a significação histórica da crise da psicologia.
Redigiu textos teóricos sobre áreas e temas variados: Psicologia da Arte, Defectologia, Pedagogia, formação de conceitos, relações entre pensamento e linguagem e entre desenvolvimento e aprendizagem.
1933 – Reuniu na obra “Pensamento e linguagem”, os textos que dedicou desde 1929 à linguagem e o desenvolvimento dos conceitos.
11/06/1934– Lev Vygotsky faleceu de Tuberculose, aos 38 anos de idade.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Jean Piaget (1896-1980) - Uma cronologia e etapas da produção intelectual

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
09/10/1896 –Jean Piaget nasce em Neuchâtel, Suíça.
1907 – Começou a estudar no Colégio Latino (estudos secundários), interessando-se por história natural. Paul Godet influencia-o profundamente, enserindo-o no mundo das ciências naturais.
1915 – Obtém Bacharaledo em Letras, no Ginásio Cantonal. Durante a graduação foi reconhecido como especialista na classificação de moluscos. Descobre a filosofia e a indissociação entre teoria do conhecimento e teoria da vida, a partir da leitura de “Evolução Criadora”, de Bergon. Inscreve-se na Faculdade de Ciências de Neuchâtel, freqüentando cinco semestres.
1917 – Obtém o prêmio “Léono-Du Pasquier” pelo trabalho “Realismo e nominalismo segundo as ciências da vida”(conhecimentos malacológicos, filosóficos e psicológicos).
1918 – Solicita ao conselho da Faculdade de Letras o reconhecimento do seu título em Ciências, visando apresentar-se ao doutorado em Filosofia. Obtém título um ano depois.
1919– Cursa Psicologia, Lógica e Filosofia com Meyerson e Léon Brunschvicg, em Paris.
1921– Conclui o doutorado em Ciências defendendo tese sobre moluscos (Introdução à malacologia do Valais). Assume a direção do Instituto Jean-Jacques Rousseau, sob indicação de Claparède.
Etapas que marcam a vida intelectual de Jean Piaget:
Primeiro período (1920 a 1935)
Jean Piaget elabora conjunto de trabalhos sobre o pensamento infantil: publicação de obras sobre linguagem, intercâmbios sociais entre crianças e suas relações com a inteligência lógica e representativa, aprofundando o conhecimento sobre o caráter egocêntrico do pensamento e uma socialização progressiva que leva ao pensamento lógico e objetivo.
Ensinou Psicologia e Filosofia das Ciências na Universidade de Neuchâtel e Sociologia no Instituto de Ciências Sociais. Nomeado diretor do Bureau Internacional de Educação (BIE) e codiretor do Instituto Jean-Jacques Rousseau (1932), ao lado de Bovet e Claparède.
Segundo período (1935 a 1955)
Desenvolvimento de trabalhos nas áreas de Psicologia e Epistemologia genéticas e lógica. Estudando o desenvolvimento das estruturas do pensamento natural, evidenciou as grandes etapas do desenvolvimento da inteligência. Elaborou também sua epistemologia construtivista. Publicou, em 1950, os três volumes da “Introdução à epistemologia genética”.
Terceiro período (1955 a 1965)
Criação do Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). A Epistemologia Genética foi o foco das pesquisas conduzidas por Piaget neste período, em colaboração com cientistas de diferentes áreas. Período também em que Piaget teve conhecimento dos trabalhos sobre a inteligência artificial.
Quarto período (1965 a 1980)
Piaget sistematizou seu modelo construtivista, estabelecendo similaridades funcionais entre os mecanismos de adaptação biológica em jogo na evolução das formas vivas e os processos intervenientes na aquisição dos conhecimentos. Esse modelo foi publicado em 1975, na obra “A equilibração das estruturas cognitivas”. A referida obra é uma síntese integradora do conjunto dos trabalhos de Piaget.
Publicou também escritos sobre os mecanismos comuns à psicogênese e à história das ciências, em colaboração com Rolando Garcia (físico).

1980 – Jean Piaget falece, aos 84 anos de idade.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Chamada pública para professores-formadores - Bahia

domingo, 22 de janeiro de 2012

Estão abertas, de 16 de janeiro a 16 de fevereiro de 2012, 105 vagas para candidatos a bolsas para professores-formadores, a fim de ministrar cursos de formação continuada dos anos finais do ensino fundamental nas áreas de educação física, ciências naturais, história, geografia e currículo e avaliação em 21 municípios do Estado da Bahia.

Esta ação é realizada pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, através do Instituto Anísio Teixeira (IAT), por meio do convênio nº 703510/2010, estabelecido entre o Governo do Estado da Bahia e o Ministério da Educação, em atendimento ao Plano de Ações Articuladas – PAR, no âmbito do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação.

As aulas, oito na modalidade presencial e oito dedicadas à avaliação de relatórios, dar-se-ão aos sábados ao longo de quatro meses com início previsto para março de 2012. As datas dos encontros presenciais nos municípios serão definidas posteriormente.

Os candidatos selecionados, após prévio treinamento, ministrarão cursos de formação continuada em história, geografia, ciências naturais, educação física e currículo e avaliação direcionados aos anos finais do ensino fundamental e serão bolsistas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), conforme Resolução CD/FNDE nº 24 de 16 de agosto de 2010, do Ministério da Educação – MEC.

Estes são os municípios que sediarão os cursos: Teixeira de Freitas, Camacan, Itapetinga, Itabuna, Poções, Belo Campo, Brumado, Camaçari, Conceição da Feira, Nazaré, Amargosa, Itaberaba, Paramirim, Bom Jesus da Lapa, Serra Dourada, Medeiros Neto, Ipupiara, Paulo Afonso, Vitória da Conquista, Crisópolis e Jacobina.

Para participar da seleção, o candidato deverá preencher o formulário (disponível em:www.iat.educacao.ba.gov.br) Maiores informações: renaforbahia@yahoo.com.br (71) 3116-9067 / (71) 3116-9066

Acesse o edital clicando aqui!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Alícia Fernández: história, fundamentos e atuação

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A história de Alicia Fernández (1) se confunde com a História da Psicopedagogia na América Latina. Sabemos que a Psicopedagogia teve sua origem na Europa, chegou à América Latina por meio da Argentina, país este que influenciou diretamente o Brasil. Alicia Fernández, ao lado de Sara Paim, Jorge Visca, dentre outros intelectuais, é um exponencial na promoção da Psicopedagogia no Brasil e em outros países, colaborando diretamente com a formação de parte dos profissionais na área de Psicopedagogia por meio de produções escritas, assessoria a instituições públicas e privadas, docência em cursos de especialização latu sensu, congressos, dentre outros.

Alicia Fernández formou-se em Psicopedagogia (2) pela Facultad de Psicopedagogía da Universidad del Salvador, Buenos Aires, Argentina. Cursou Psicologia na mesma universidade, mantendo contato com a psicanálise por meio de Pichon Rivière e Bleger. Além disso, especializou-se em Psicopedagogia Clínica e em Psicodrama. Durante sua formação inicial e continuada consolidou o referencial teórico que servirá de base para suas contribuições teóricas e práticas no campo da Psicopedagogia, a exemplo da psicanálise e do psicodrama.

O currículo profissional de Alicia Fernández é extenso, demonstrando total dedicação à Psicopedagogia e a relevância de sua atuação nesse sentido.

De 1962 a 1974, após formação inicial, trabalhou como orientadora educacional junto a populações carentes na Argentina.

Realizou trabalho de assessoria em atividades psicopedagógicas em inúmeras instituições educacionais e de saúde nos estados de São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Goiânia (Brasil) e estados de Buenos Aires, Córdoba, San Juan e Rio Negro (Argentina).

Desenvolveu experiência grupal com base psicanalítica de revisão da modalidade de aprendizagem e ensino do psicopedagogo e do educador de sala de aula.

Atuou como diretora da Escuela Psicopedagógica de Buenos Aires, uma escola de Formação em Psicopedagogia Clínica, especialização latu sensu, tendo psicólogos, médicos, pedagogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos como público alvo.

É supervisora de atividades psicopedagógicas em vários hospitais públicos e privados de Buenos Aires.

Atualmente dirige a E.Psi.B.A., que originalmente se chamava Escuela Psicopedagogica de Buenos Aires. Depois do crescimento de sua abrangência passou a se chamar Espacio Psicopedagogico Brasil Argentina e atualmente, diante de sua sua permanente expansão, passou a ser o Espacio Brasileño-Argentino-Uruguayo.

É consultora em instituições de formação na Argentina, Uruguai, Brasil, Espanha e Portugal.

Enquanto pesquisadora tem realizado investigações a respeito dos “Fatores possibilitadores da aprendizagem na população com necessidades básicas insatisfeitas, projeto aprovado pelo Ministério da Saúde e da Ação Social da Argentina. De acordo com EPSIBA (2011), investiga também sobre hiperatividade e déficit de atenção na infância e, junto a Jorge Gonçalves da Cruz, coordena a investigação “Situação Pessoa Prestando Atenção” (SPPA), uma pesquisa como o objetivo de identificar as modalidades atencionais nos contextos atuais, tendendo a gerar uma reconceitualização do conceito tradicional de “atenção” e de “hiperatividade” que propicie ferramentas de reflexão e intervenção psicopedagógicas, estendidas no campo clínico e educativo. Esta pesquisa conta com a participação, em rede, de 50 profissionais residentes em diversos países de América e Europa (3).

Conforme CEPAI (2011), Alicia Fernández iniciou suas pesquisas, “por meio do trabalho de Sara Pain, dando continuidade a partir de investigações próprias, enfatizando o trabalho com grupos de crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem. Vem realizando importantes investigações no plano da utilização de técnicas psicodramáticas com base psicanalítica”.

Notamos que suas publicações estão intimamente ligadas a inquietações que surgiram por ocasião de sua atuação profissional, a exemplo da publicação do livro “A inteligência aprisionada”, em 1987. O mesmo foi sistematizado a partir do atendimento que Alicia Fernández realizou junto à população carente em Hospital Público na Grande Buenos Aires, quando criou e dirigiu um Centro de Aprendizagem.

Em entrevista concedida no ano de 2008 à revista Direcional educador, Alicia Fernández comentou que em “A inteligência aprisionada” apresenta: “(...) fundamentos de como a família pode ser possibilitadora ou produtora de problemas de aprendizagem dos filhos, e deste modo, estruturo um modelo de diagnóstico interdisciplinar familiar, que venho utilizando em diversos países”. (FERNÁNDEZ, 2008).

Em “A mulher escondida na professora”, a referida autora fundamenta o lugar e a importância dos professores, tanto como agentes de saúde na aprendizagem, como às vezes, - ainda que sem propor a sê-lo - desencadeadores de problemas de aprendizagem”. (FERNÁNDEZ, 2008). Conforme Marangon (2008), este livro é fruto de estudo realizado entre 1986 e 1989 com crianças e jovens menores de 14 anos, motivado pelo observação de Alicia em relação ao número de casos de dificuldades de aprendizagem que atendia em seu consultório com maior incidência entre meninos. O estudo comprovou que 70% dos casos eram do sexo masculino e uma vez constato que o fenômeno acontecia noutros países, passou-se a investigar sobre o assunto.

No Brasil, além destes livros, Alicia Fernández publicou pela editora Artes Médicas: “Os idiomas do Aprendente” e “O Saber em jogo”; Por meio da editora Vozes, “Psicopedagogia em Psicodrama – morando no Brincar”.

De acordo com EPSIBA (2011), em setembro de 2011, Alicia Fernández publicou pela Editora Artes Médicas seu mais novo livro: A capacidade de atenção, editado também em espanhol (La tencionalidad Atrapada – pela editora Nueva Visión).

Para Camargo (2008) Alicia Fernández fez-se uma referência para psicólogos, pedagogos e psicopedagogos de vários países. “(...) Suas abordagens – em livros e palestras – sobre autoria do pensamento e modalidades do conhecimento enfrentam as causas mais comuns dos traumas infantis e põem em xeque as relações entre professores, pais, instituições de ensino e poder público.

Para o referido autor, uma das contribuições relevantes de Alicia Fernández, foi apresentar a Psicopedagogia “(...) como uma disciplina com um objeto próprio: a autoria do pensamento e como um acionar dirigido a sujeitos, por ela conceitualizados como "aprendente" e "ensinante".

CEPAI (2008) aponta outra contribuição de Alicia Fernández para a Psicopedagogia ao afirmar que com uma larga experiência de trabalho com famílias, grupos e instituições de saúde e educação, a autora construiu um modelo próprio de diagnóstico psicopedagógico chamado “Diagnóstico Interdisciplinar Familiar de Aprendizagem em uma só jornada” (DIFAJ), utilizando-o em diversos hospitais públicos e privados de vários países latino-americanos.

Já para Silva (2010):
Alicia Fernandez desenvolve um conceito muito importante para a psicopedagogia, o de modalidade de aprendizagem, que é uma maneira pessoal para aproximar-se do conhecimento e para conformar seu saber. É construída desde o nascimento a partir das relações familiares e situações de aprendizagem durante a vida. (...)Desta maneira a psicopedagogia olha para o sujeito em sua individualidade, mas integrado nos grupos a que pertence (familiar, social, escolar, etc...) e busca encontrar sua pecualidade como aprendente, ou seja, a modalidade de aprendizagem que lhe é própria. O que lhe interessa são as diferenças que possibilitam compreender o indivíduo como único, apesar de poder estar inserido num determinado tipo de modalidade de aprendizagem.

Finalmente, a própria Alicia Fernández, em entrevista concedida à revista Direcional Educador, em 2008, reflete sobre o conceito de autoria do pensamento ao afirmar que:
Nós, humanos, aprendemos a partir de identificações com nossos ensinantes, e somente em um ambiente familiar, e depois, no escolar e social, que nos aceite como seres pensantes. Quero dizer, que permita e favoreça nossas perguntas, dê lugar à diferença, em síntese, que favoreça a autoria de pensamento. A inteligência se constrói, a atividade de pensamento se constrói, como também a atenção e a capacidade de se prestar atenção.

Conhecendo um pouco da história e das contribuições práticas e teóricas realizadas por Alicia Fernández compreendemos a relevância de seu empenho para a formação de psicopedagogos e outros profissionais interessados pelo processo de aprendizagem, buscando instrumentos de intervenção quando as dificuldades da aprendizagem surgirem.

Referências
CAMARGO, Gilson Camargo. Escrito na pele – Entrevista com Alicia Fernández. Jornal Extra Classe. Ano 13. N. 27. Setembro de 2008. Disponível em . Acesso em: 09 Dez. 2011.

CEPAI. Personalidades: Alicia Fernández. Disponível em < http://www.cepai.com.br/sobre_personalidades.php#Alicia>. Acesso em: 07 Dez. 2011.

EPSIBA. Espacio Psicopedagógico de Buenos Aires. Cursos à distância. Disponível em < http://www.epsiba.com/previewactividad.php?id=11>. Acesso em: 08 Dez. 2011.

FERNANDEZ, Alícia. Entrevista: Alicia Fernández. Entrevista realizada por Luiza Oliva em 2008. Disponível em: . Acesso em: 08 Dez. 2011.

MARANGON, Cristiane. Aprendizagem também é uma questão de gênero: entrevista com Alicia Fernández. Revista Nova Escola. 17 Nov. 2008. Disponível em: . Acesso em 06 Dez. 2011.

NOTAS
(1)   Alicia Fernández, nascida em Buenos Aires – Argentina, no ano de 1944, é filha de pai espanhol e mãe Italiana.
(2)   Na Argentina, a Psicopedagogia corresponde a uma graduação com duração de aproximadamente cinco anos.
(3)   EPSIBA (2011) apresenta uma espécie de currículo lattes de Alicia Fernández:
·         Docente na Universidad de Buenos Aires (Pós-graduação da Faculdade de Psicologia) e Professora Titular das materias “Diagnóstico Psicopedagógico” e “Tratamento Psicopedagógico” da Universidad del Salvador (Faculdade de Psicopedagogia).
·         Docente convidada em numerosas Universidades e Associações da América Latina e Europa: Technische Universität de Berlin, Association Gree Groupe Européen de Recherche en Evaluation Education et Réadatation de Francia, Faculdade de Ciências da Educação de Lisboa Portugal, Pontificia Universidade Católica de São Paulo, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Universidade de Passo Fundo, Universidade Regional Do Noroeste Do Estado Do Rio Grande do Sul, Universidad de la República de Uruguay, Universidad Nacional de Lomas de Zamora, Universidad de Morón, Universidad Nacional del Comahue, Universidad Nacional de la Rioja, Universidad Nacional de San Juan, Universidad Nacional de San Luis; entre outras.
·         Fundadora e co-diretora de E.Psi.B.A. Espaço Psicopedagógico Brasileiro-Argentino-Uruguaio.
·         Coordenação de grupos de formação de profissionais das áreas de saúde e educação em diversas cidades da Argentina, do Uruguay, do Brasil e de Portugal.
·        Título Membro Honorário da Associação Nacional de Psicopedagogia do Brasil.
·         Distinção Membro de honor da Associação de Psicopedagogos de Neuquén.
·        Assessora de numerosas instituições educativas de gestão privada e assessora de atividade psicopedagógica em Hospitais de gestão pública e privada.
·         Fundadora do centro de aprendizagem do Hospital Nacional "A. Posadas", Buenos Aires, Argentina.
·        Ex Assessora da Secretaria de Educação do Município de Porto Alegre, Brasil.

Psicopedagogia - Uma linha do tempo

Surgimento da Psicopedagogia – Hipóteses de períodos
Europa, século XIX – Nascimento da Psicopedagogia – Filósofos, médicos e educadores preocupados com os problemas de aprendizagem.
Europa, década de 1920 – Instituição do Centro de Psicopedagogia baseado no pensamento psicanalítico de Lacan (Andrade, 2004).
Europa, Paris, 1946 – Criação dos primeiros Centros Psicopedagógicos na Europa por Juliette Favez-Boutonier e George Mauco (Bosa, 1994; Masini et al,1993).
 
A Psicopedagogia nos EUA e na Argentina
Século XX, Estados Unidos – surgimento dos primeiros centros de reeducação para delinqüentes infantis. Crescimento quantitativo de escolas particulares e de ensino individualizado para crianças classificadas pela aprendizagem lenta.
1930, França – Surgimento dos primeiros centros de orientação infantil, com equipes formadas por médicos, psicólogos, educadores e assistentes sociais e voltadas para a reeducação de crianças com dificuldades de aprendizagem (perspectiva médico-pedagógica).
Década de 1950, América do Sul – Surgimento da psicopedagogia na Argentina (1956) enquanto formação universitária. Precursores: Arminda Aberastury e Jorge Visca (Pai da Psicopedagogia = definiu a Psicopedagogia enquanto área do conhecimento).
1960, Argentina – Jorge Visca criou o Instituto de Psicopedagogia da Argentina.
Década de 1970, Buenos Aires – Surgimento dos Centros de Saúde Mental (diagnósticos e tratamentos psicopedagógicos).
A Psicopedagogia no Brasil
Década de 1960, Brasil – Autores brasileiros iniciam reflexão sobre a Psicopedagogia, preocupados especialmente com as deficiências que geravam problemas de aprendizagem.
 Década de 1970, Brasil – A Psicopedagogia chegou ao Brasil sob a influência do pensamento argentino. Criação dos primeiros cursos com enfoque psicopedagógico na PUC, São Paulo. Criação do primeiro curso regular em Psicopedagogia (1979 – Instituto Sedes Sapientiae).
Década de 1980, Rio de Janeiro, Brasil – Criação da Escola Guatemala (Trabalho de ação preventiva junto aos educadores = busca de saídas para impropriedades de ensino). Surgimento dos cursos de especialização Lato Sensu em Psicopedagogia em São Paulo, posteriormente noutras regiões do Brasil.
1980, São Paulo - Criação da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (Amorim, 2011).
A Psicopedagogia no Estado do Mato Grosso do Sul
1994, Mato Grosso do Sul – Oferta do primeiro curso de Especialização Lato Sensu em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Universidade Católica Dom Bosco.
2003 – Oferta do curso de Especialização Lato Sensu em Psicopedagogia Clínica e Institucional no interior do Mato Grosso do Sul.
Referências
AMORIM, Elaine Soares de. Psicopedagogia: Regulamentação e Identidade Profissional. Disponível em:
Pos/article/viewPDFInterstitial/208/208>. Acesso em: 28 Nov. 2011.
BROSTOLIN, Marta. Psicopedagogia: histórico, fundamentos e atuação. Portal Educação/ Universidade Católica Dom Bosco: Mato Grosso do Sul, 2011.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Seminário Manuel Querino

terça-feira, 15 de novembro de 2011
 Recomendo participação no Seminário Manuel Querino, intelectual negro baiano. O seminário é tudo de bom e a programação deste ano está excelente... Uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais de nossa história. Aproveito a oportunidade para parabenizar Jaime Nascimento e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia pela relevante iniciativa!


 
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