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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Para nossos alunos-leitores


Bárbara Cerqueira Casé*, uma de nossas leitoras, compartilha conosco uma reflexão sobre estratégias para a formação de leitores em ambientes escolares, focalizando especialmente a utilização da literatura. Desde já, Bárbara, agradecemos sua colaboração e disponibilidade. Vejamos, então, a sua reflexão a respeito:

 “A taxa de leitura por pessoa foi de 4,7 livros lidos por ano. Em 2000, foi apenas de 1,8 livro. O estudo também aponta que a maioria das obras lidas foi indicada pela escola (incluindo os didáticos). Outro dado interessante: crianças e jovens leem mais que adultos. Leitores entre 11 e 13 anos leem, em média, 8,5 livros por ano. Já entre as pessoas na faixa etária dos 30 anos, a taxa cai para 4,2 livros.” (“Retratos da Leitura no Brasil”, Instituto Pró-Livro, 2008).

Os dados acima apontam para melhora significativa no trabalho da escola para formação de jovens leitores. Por longos anos foi priorizada na escola a leitura operacional de decodificação dos signos lingüísticos dissociada do prazer proporcionado pela mesma; o que pode explicar tanto a falta de interesse dos adultos brasileiros pela leitura como os elevados índices de analfabetismo funcional. A realidade, no entanto, impõe a necessidade de formação de leitores, devido a estreita relação entre a leitura e desempenho escolar. Assim, aos professores é lançado o desafio diário de trabalhar a leitura de maneira prazerosa para atingir a meta da formação de leitores. Selecionamos alguns pontos para refletirmos sobre a prática em salas de aulas.



1. Projetos interdisciplinares
O uso da literatura nos projetos interdisciplinares ainda é uma ferramenta pouco explorada entre os professores. A partir de um livro podem ser articuladas discussões entre os temas abordados no texto e outras disciplinas, o que pode trazer mais significados e melhor entendimento dos conteúdos por parte dos alunos. Indicações: “Jubiabá”, de Jorge Amado, para compreender a representação da negritude na Bahia; “Macunaíma”, de Mario de Andrade, para tratar da condição do índio no Brasil e trazê-la para o contexto da contemporaneidade.


2. O prazer proporcionado pela leitura
A literatura enquanto ferramenta educativa é importante, mas não só esse ponto deve ser trabalhado na escola. O prazer proporcionado pela leitura não deve ser considerado fator secundário. Quem nunca ficou preso à leitura de uma romance, não ficou emocionado ou apreensivo com o desfecho do enredo, ou ficou por horas imaginando aquele cenário descrito pelo autor? O professor pode propor um gama de títulos para esse fim. É interessante levar os alunos à biblioteca, permitir que eles folheiem os livros, que escolham os títulos livremente. Júlio Verne foi “Da terra a lua” antes mesmo de o homem conquistar essa façanha, viajou em expedição para África em “Cinco semanas em um balão” sem nunca sair de Paris. Para não falar das aventuras do cavaleiro andante “Dom Quixote” e seu fiel escudeiro Sancho Pança, contadas por Cervantes.


3. Contação de história
Atividades de contação de história são muito trabalhadas na educação infantil e nas primeiras séries do ensino fundamental, mas perdem o apreço dos professores das séries mais avançadas. O prazer proporcionado por ouvir as histórias de Monteiro Lobato pode ser tão positivo para crianças quanto para jovens. Um trecho do livro “A reforma da natureza” pode ser utilizado para introduzir uma aula sobre o meio ambiente. Ou uma das “Comédias para ler na escola”, de Érico Veríssimo, pode servir para introduzir uma aula de língua portuguesa.


4. Outras mídias
Crianças e jovens, de modo geral, têm acesso facilitado à televisão e à música; as outras artes, como o cinema, o teatro, as artes plásticas e a própria literatura, se dão em ambientes relativamente restritos e seu acesso é possibilitado pelos adultos. Muitos livros foram adaptados para outras mídias, e usá-las como recurso educativo para estudar literatura não pode ser descartado. “O auto da compadecida”, de Ariano Suassuna, é uma obra que já esteve na TV e no cinema; por que não apresentar o autor, as características de sua escrita, abordar a temática discutida a partir do filme? “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, é um clássico da literatura brasileira do qual também foi feita para o cinema uma adaptação contextualizada nos dias de hoje.


5. Professor-leitor
Muitas crianças e jovens têm seu primeiro contato com a leitura literária na escola. Usar a desculpa de que não conhece ou não entende de literatura para subtrair do aluno o direito ao acesso ao conhecimento é uma postura cômoda que não cabe em nossos tempos. É imperativo que o formador de leitores seja antes de tudo um bom leitor. O professor deve conhecer o autor, ler o seu livro e estudos sobre ele e seu contexto de produção, preparar-se para a atividade de leitura da mesma forma como faria para ensinar matemática. Pesquisas recentes comprovam que o professor se constrói em sala de aula. Como intelectual que é, deve buscar atualização constante, ser curioso, pautar sua prática na pesquisa.


Romper com paradigmas exige muito esforço e trabalho. Contudo o professor desempenha um papel político e como tal não pode se furtar à reafirmação diária do seu compromisso ético pela educação para transformação social. O trabalho de leitura na escola pode aliar a decodificação e a interpretação dos conteúdos com o prazer, e o profissional de ensino pode fazer uso de diversas estratégias para que isso aconteça. Um exemplo: a editora Abril elaborou uma lista dos livros que devem ser lidos dos 2 aos 18 anos que está disponível em seu site. Professor, faça uma análise crítica da relação de títulos indicados com a idade correspondente, veja quais obras podem ser trabalhadas com sua turma, leia a obra, conheça o autor. A próxima aula pode ser mais interessante tanto para os alunos quanto para você. Bom trabalho!

* Bárbara Cerqueira Cazé é pedagoga, com graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS. Contato: barbaracaze@gmail.com

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