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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O capítulo metodológico de um projeto de pesquisa

Um projeto de pesquisa tem o capítulo metodológico como um de seus elementos. Nele expomos a metodologia que será desenvolvida pelo pesquisador, tendo em vista o alcance dos objetivos de pesquisa (geral e específicos) e, consequentemente, da resolução do problema de pesquisa. Como afirma Bastos:

O elemento básico de uma boa metodologia consiste em um plano detalhado de como alcançar o(s) objetivo(s), respondendo às questões propostas e/ou testando as hipóteses formuladas. De fato, a “boa” metodologia é a apropriada à solução do problema e aos objetivos do estudo. (BASTOS, 2003, p. 06).

O sentido etimológico de metodologia é caminho. Na pesquisa, a metodologia seria, portanto, o caminho a ser tomado pelo pesquisador, isto é o tipo de pesquisa que ele adotará (sua classificação), a população e a amostra e os instrumentos de coleta de dados com os quais ele trabalhará.


A pesquisa pode ser classificada quanto à natureza, ao objetivo; à abordagem e ao procedimento.

Quanto à natureza, a pesquisa pode ser básica ou aplicada. Na primeira o pesquisador almeja a produção de novos conhecimentos. Tais conhecimentos podem colaborar com o avanço da ciência; na segunda visa produzir conhecimentos capazes de resolver problemas específicos. Envolve não apenas compreensão de um assunto, mas também a aplicação de conhecimento para a transformação de um determinado aspecto da realidade.

Quanto ao objetivo, a pesquisa pode ser exploratória (é aquela na qual o pesquisador tem pouco conhecimento e faz suas primeiras descobertas sobre um tema); descritivo (como afirma Santos (1999), busca descrever características de população ou fenômeno; estabelecer relações entre variáveis.); e explicativo (é aquela cujo objetivo é explicar a razão dos fenômenos, as relações entre causa e efeito).

A pesquisa pode ser de abordagem qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa. Para Leopardi (2001) a pesquisa deve ser qualitativa “Quando o interesse não está focalizado em contar o número de vezes em que uma variável aparece, mas sim que qualidade elas apresentam”. Para Minayo (1994), “A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado”. Apreciando tais definições, identificamos também quando a pesquisa deve ser quantitativa. Enquanto na primeira trabalhamos com dados que se apresentam sob a forma de descrições narrativas, na segunda os dados se apresentam ou podem ser diretamente convertidos para uma forma numérica (Moura, Ferreira e Paine, 1998, p. 92). Por fim, a pesquisa quali-quantitativa articula dados quantitativos e qualitativos, visando abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do objeto de estudo, como afirma Goldenberg (2000, p.63).

Quanto aos procedimentos a pesquisa pode ser bibliográfica, documental ou de campo. A pesquisa bibliográfica é fundamental para qualquer pesquisa. Por meio dela o pesquisador tem a oportunidade de conhecer dados já levantados e analisados sobre o tema de seu interesse; a pesquisa documental compreende o estudo de dados ainda não analisados. Como observam Matos e Vieira (2002, p. 41), encontram-se ainda em seu estado original e por isso podem ser reelaborados de acordo com a finalidade da pesquisa e criatividade do pesquisador. (MATOS E VIEIRA, 2002, p.40-41). A pesquisa de campo compreende vários métodos: pesquisa ex-post-facto; levantamento; pesquisa com survey; estudo de Caso; pesquisa participante; pesquisa-ação; pesquisa etnográfica; pesquisa etnometodológica; história oral, história de vida e depoimento pessoal.

Após a classificação da pesquisa, deve-se escolher a população (os sujeitos junto aos quais será realizada a pesquisa) e a amostra (a quantidade de sujeitos). A definição desses itens estar adequada aos objetivos de pesquisa. Por isso, o pesquisador deve expor sempre a razão das escolhas.

Por fim, o pesquisador deve escolher os instrumentos de coleta e análise de dados. Entrevistas estruturadas ou não estruturadas, questionários, testes, escalas, observação participante ou não-participante e instrumentos de laboratório são alguns exemplos de técnicas de coleta de dados. Cabe ao pesquisador discernir qual instrumento é mais apropriado para os objetivos de pesquisa, podemos o mesmo utilizar vários instrumentos.

Quando o pesquisador estiver trabalhando com dados quantitativos, os instrumentos para a análise de dados podem ser os testes de hipóteses ou os testes de correlação; já para dados qualitativos, a análise de conteúdo ou de discurso.

Nos links a seguir você entrará um power point e um fichamento com informações detalhadas sobre os referidos procedimentos de pesquisa, métodos de coleta e análise de dados e mais informações úteis. Estude com atenção esses materiais e conseguirão construir bem o capítulo metodológico.
Referências
BASTOS, Lília da Rocha et alli. Manual para elaboração de projetos e relatórios de pesquisas, teses, dissertações e monografia. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2003.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projeto de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 4. ed. Rio de Janeiro; São Paulo: Record, 2000.

LEOPARDI, M. T. Metodologia da pesquisa na saúde. Santa Maria: Pallotti, 2001. p. 251-256.

MATOS, Kelma Socorro Lopes de; VIEIRA, Sofia Lerche. Pesquisa educacional: o prazer de conhecer. 2.ed. rev. e atual. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2002.

MOURA, Maira Lucia Seidls de; FERREIRA, Maria Cristina; PAINE, Patrícia Ann. Manual de elaboração de projetos de pesquisa. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998.

SANTOS, A. R. dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

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