terça-feira, 15 de setembro de 2015

A escolha do tema de pesquisa

Escolher um tema é a primeira ação que precisa ser realizada por uma pessoa de decide desenvolver uma pesquisa acadêmica.

De acordo com Marconi e Lakatos (2007) tema é “assunto que se deseja estudar e pesquisar”. Para Wazlawick (2009), o tema corresponde a “uma área de conhecimento ou um aspecto de uma área de conhecimento que se deseja investigar e desenvolver”. Os referidos autores, ao apresentarem suas definições, apontam o que é o tema (assunto, área do conhecimento...) e as ações desenvolvidas em relação ao tema (pesquisar/investigar, estudar, desenvolver) o que nos leva a entender que a escolha de um tema exige do estudante interesse, compromisso e disciplina, envolve a busca por informações, o estudo e a (re)construção de conhecimentos.

Mas como escolher um tema? De onde ele pode surgir?
Ele pode nascer a partir de:  experiências cotidianas, nos vários espaços de convivência (ambientes de trabalho, participação em estágios); leituras de textos de vários gêneros textuais (dissertações, vídeos, fotografias, documentos); participação em palestras/ eventos culturais e científicos relacionados à área de formação; participação em aulas e cursos vinculados também à área de formação; diálogos informais em ambientes acadêmicos e/ou profissionais, dentre outros.

Entendem Cervo e Bervian (1996) que a escolha do tema, apesar de ser o primeiro passo da pesquisa, não é do mais fácil. Para eles, o que não faltam são assuntos e, diante disso, o mais difícil seria decidir qual assunto pesquisar. Para superar esse obstáculo, o pesquisador pode se orientar por alguns critérios/motivos, tais como:


- O tema deve despertar o interesse do pesquisador: deve estar vinculado àquilo que ele gosta, pretende se dedicar e vislumbra possibilidades futuras;


- O tema deve conter importância científica e social: deve colaborar com a produção de novos conhecimentos, portanto com o desenvolvimento da ciência e, consequentemente, produzir um bem real para a sociedade;

- O tema deve estar adequado às condições do pesquisador: deve ser um tema cujo pesquisador tem condições de dar conta, considerando suas possibilidades, aptidões, tendências e conhecimento sobre o tema;

- É preciso que haja fontes disponíveis para estudo e pesquisa;

- É interessante também escolher um tema que o pesquisador possa obter orientadores dentro da instituição ou recomendada por ela.


Pessoa indica (2005, p. 39), para auxiliar o pesquisar na escolha de um tema, as seguintes questões:

- Que assunto sobre o qual já possuo uma boa bagagem de conhecimento, mas gostaria de aprofundar?
      - Que aspectos estão pouco explorados pela comunidade técnico-científica e com que eu poderia contribuir?
- Eu gostaria de ser referência em que assunto? Que tema mais me entusiasmou durante o curso?
- Qual tema poderei usufruir mais no meu trabalho?
- Em qual deles tenho mais facilidade de pesquisa?
- Para qual deles tenho um bom orientador disponível para me acompanhar?

Uma questão fundamental que o pesquisador deve observar é que geralmente o tema vem de forma ampla e para facilitar o seu trabalho é preciso delimitar, escolher um aspecto a ser abordado do tema, o que pode ser alcançado por meio de uma boa revisão de literatura e consequentemente por meio de delimitação de um problema de pesquisa. Nesse sentido, afirmam Moroz e Gianfaldoni (2006, p. 25) que “uma questão ampla permite inúmeras possibilidades de busca de respostas; a especificidade, ao contrário, indica o ângulo, o enfoque e exatamente qual o fenômeno a ser abordado naquela investigação.”
Recorremos a um pensamento de Létourneau (2011) para concluir essa reflexão a respeito da escolha de um tema de pesquisa:

A definição de um assunto é uma etapa importante na realidade de um trabalho de pesquisa. Seria errôneo acreditar que essa operação se resume à escolha de um título. Definir um assunto é dedicar-se a um exercício de questionamento sistemático. É transformar um tema de estudo ou uma ideia de pesquisa num problema por resolver. É alguma maneira dar forma à própria imaginação e às próprias intuições; é pôr em ação a curiosidade. (LÉTOURNEAU, 2011, p.247)

É a curiosidade que proporciona experiências de aprendizagem e movimenta o universo. Por que não experimentar esse ato de prazer?

Referências
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996.

LÉTOURNEAU, Jocelyn. Ferramentas para o pesquisador iniciante. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.


PESSOA, Simone. Dissertação não é bicho papão: destimisficando monografias, teses e escritos acadêmicos. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

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