domingo, 3 de abril de 2011

Quem é o orientador?

Dando continuidade à reflexão sobre o orientador e a pesquisa, compartilho agora algumas ideias sobre o perfil do orientador. A lista é subjetiva e, por isso, pode ser ampliada com a colaboração dos(a) amigos(a). Nesse sentido, conto com o comentário de todos, ao final destas postagem. Nela vocês encontrarão também citações de autores sobre o tema, disponibilizados com o intuito de proporcionar diálogos e aprofundamente e indicação de livros para eventual leitura.

O Orientador é...

... um estudioso e um pesquisador
Conhece bem os temas que orienta porque pesquisa,  leciona e desenvolve projetos de extensão sobre os mesmos.

... um apreciador atento
Verifica qual a situação real do estudantes (seus limites e suas possibilidades, sua experiência, sua história de vida e seus conhecimentos acumulados em relação ao tema) e faz minuciosa leitura crítica do projeto de pesquisa monográfica e do relatório de pesquisa, colaborando com o estudante no aperfeiçoamento e desenvolvimento destes.

... Um sujeito que auxilia o orientação a ampliar visões
Discute com o orientando viabilidade, relevância e consistência de sua proposta, auxiliando-o a descobrir o que realmente deseja investigar. Além disso, ajuda o orientando na delimitação de tema e problema, definição de objetivos, escolha de referencial teórico e metodologia

... um estimulador da leitura e da escrita
Dá indicações de leituras que visem ampliar a produção acadêmica do orientando (obras clássicas e atuais); e solicita ao orientando que expresse por escrito suas idéias, para que ele possa atingir um melhor nível organização de suas idéias e de clareza em relação ao desenvolvimento do texto escrito.

.... alguém que dialoga permanentemente com o orientando
Aponta limitações no projeto ou relatório de pesquisa, equívocos conceituais, necessidades de aprofundamento teórico; propõe sugestões para correção e aprimoramento; elogia o desempenho do orientando à medida que este supera obstáculos, desenvolvendo novas habilidades, conhecimentos e atitudes em relação à pesquisa.

... um sujeito presente
Atende ao orientando com periodicidade nos horários combinados para orientação e estimula o educando a organizar o seu tempo e a obedecer prazos.

... conhecedor das normas da instituição em relação ao trabalho de conclusão de curso
Segue o que determina o regulamento da instituição ou as normas instituídas pelo professor de TCC para estrutura do trabalho monográfico; dá atenção aos prazos e procedimentos estabelecidos, mantendo atualizado o controle de freqüência e o aproveitamento dos estudantes em relação as orientações encaminhadas; informa ao professor de TCC, por escrito, os encaminhamentos dados durante as orientações realizadas.

... aquele que cuida da coerência interna da produção textual
Orienta em relação a clareza, coerência entre as partes, coerência de pensamento, solidez da argumentação, criatividade e originalidade textual.

Citações sobre orientação
"Os filtros da escolha do orientador são basicamente dois: um de caráter objetivo e técnico, que diz respeito ao conhecimento que ele detém sobre o assunto; o outro é sua expertise em matéria de metodologia do trabalho". (...) (PESSOA, 2005, p.53).


"(...) Devemos procurar um orientador que potencialize nossas virtudes e neutralize nossas deficiências; ou seja, o jeito de ser dele tem que ser benéfico ao nosso(...)". (PESSOA, 2005, p.53).

"Quando a formação do aluno é muito deficitária, faz parte da tarefa de quem orienta indicar cursos de nivelação, tanto na área acadêmica quando em inglês e até mesmo em português". (VIEIRA apud PESSOA, 2005, p.149).

"Quanto à orientação, ela é uma função típica da pós-graduação e se dá, com força, após o término das disciplias. Mas em nossos dias começa a existir, também, na graduação, na medida em que a maioria dos cursos está introduzindo um trabalho de conclusão ou uma monografia final. Os professores de graduação, que muitas vezes não tiveram que escrever esse tipo de monografia e não necessariamente concluíram seu mestrado, estão sendo, progressivamente, empurrados para o exercício da função da orientação sem, entretanto, ter qualquer preparo para ela (...)". (MACHADO, 2006, p.51).

"O orientando, a quem compete, mesmo em nível de mestrado, produzir um trabalho original, embroa de fôlego restrito, calcado em bibliografia atualizada e relevante, diante da qual assume posicionamento independnete e crítico, pode contar com o suporte de um pesquisador que não apenas já passou por isso, como conhece sua área, podendo ajudá-lo na construção desse conhecimento específico (...)". (ZILBERMANN, 2006, p.334).

"O orientador, da sua parte, tem muito a aprender com cada um de seus orientados. Sua experiência e conhecimento da área, efetivamente, cooperam para o exercício da tarefa de orientação; mas qualquer orientador consciente sabe que não esgotou as possibilidades de investigação; caso contrário, não haveria espaço para a pesquisa do orientando. Como este não pode chover no molhado, ele interfere, com sua busca, no univverso conhecido, alargando-o e aprofundando-o". (ZILBERMANN, 2006, p.334).

"(...) é fundamental a familiaridade com a área e sub-área na qual se está interessado. Um pesquisador experiente na mesma, frequentemente o próprio orientador poderá indicar as publicações importantes e indispensáveis e guiar de certa forma a busca inicial. Esta é uma das razões pela qual, como já foi dito, é extremamente importante o processo de orientação na realização de Monografias, Dissertações ou Teses. O orientador deve ser alguém que estuda o tema escolhido pelo aluno ou que realiza pesquisa sobre o mesmo. Só assim pode fazer esse tipo de indicação com segurança". (MOURA, FERREIRA E PAINE, 1998, p.26-27).
"O processo de orientação consiste em uma relação essencialmente educativa, em que o orientador e o orientando interagem no sentido do preparo e desenvolvimento do aluno para a elaboração de um trabalho científico” (UNISANTOS, 2004, p. 50).Indicação de leituras



BIANCHETTI, Lucídio; MACHADO, Ana Maria Netto (org.). A bússola do escrever: desafios e estratégias na orientação e escrita de teses e dissertações. 2. ed. Florianópolis: UFSC; São Paulo: Cortez, 2006.
 
MOURA, Maira Lucia Seidls de; FERREIRA, Maria Cristina; PAINE, Patrícia Ann. Manual de elaboração de projetos de pesquisa. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998.

PESCUMA, Derna; CASTILHO, Antonio Paulo Ferreira de. Projeto de Pesquisa: o que é? como fazer? um guia para sua elaboração. 3.ed. São Paulo: Olho d´Água, 2006.

PESSOA, Simone. Dissertação não é bicho papão: destimificando monografias, teses e escritos acadêmicos. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

0 comentários: