quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Educação Oriental - Modelos Educacionais

A História da Educação Oriental se estruturou entre dois mil a dois mil e quinhentos anos, numa região que consideramos o berço de toda a civilização. Egípcios, fenícios, gregos, mesopotâmicos, hebreus, chineses, japoneses e outros grupos humanos colaboraram para a construção de modelos e agências de formas da tradição oriental que têm uma dimensão de longa duração na humanidade.

A educação é anterior às referidas civilizações. Na "pré-história", grupos de homens e mulheres, em diversos estágios de evolução, desenvolviam um tipo de educação a partir de observação e da imitação da natureza, não intencional, mas visando garantir a sobrevivência.



Com o surgimento das civilizações, promovido pelo desenvolvimento da agricultura e da possibilidade de sedentarização, da fixação dos homens e mulheres nas terras próximas aos rios – Nilo, tigre e Eufrates, por exemplo –, a educação foi assumindo formas mais elaboradas e incorporando novas funções. Não era ela mérito de um povo só, mas fruto do intercâmbio entre diversas sociedades que coexistiam: nômades, ex-nômades e comerciais.
As civilizações a que nos referimos, Cambi (1999) chama de sociedades hidráulicas: nascidas nas planícies, banhadas por grandes rios, prosperaram por meio do controle das águas destes rios, tiveram notável desenvolvimento agrícola e desenvolveram forte divisão do trabalho e rígida distinção entre as classes sociais, tendentes a se tornarem classes mais fechadas. Estas mesmas civilizações, exigindo forte controle social, organizaram suas vidas de modo unitário por meio da Religião e do Estado.

Mas afinal, a quem coube a educação nestas civilizações?
Para os hebreus todas as atividades significativas eram desenvolvidas em torno do templo; já nos Zigurates mesopotâmicos, além de lugar de culto aos deuses, estocavam-se alimentos, fazia-se ciência (observação dos astros). A partir destes dois exemplo, observamos que a vida,  girava em torno do templo. A Educação era tida como uma atividade sagrada, isto é, prodígio dos deuses. E os grupos sacerdotais eram seus guardiões. Eram eles os intérpretes dos mitos, os detentores da tradição e os que cuidavam da tradição ideológica e da concepção do mundo oriental antigo.

Não é a toa que os mitos tiveram uma função eminentemente educativa entre estes povos. Neles, a natureza aparecia divinizada e todas as explicações para a realidade e os fenômenos passavam pelo sagrado. Por exemplo: comer do fruto da árvore da sabedoria - proibido -  era o passaporte do paraíso  para o deserto (o sofrimento). Da inocência à consciência do pecado!

Na Assíria, os sacerdotes eram depositários da formação escolar.  No Egito todo o saber era ministrado no templo e o Faraó, senhor de todo conhecimento, era quem indicavam a quem caberia educar.
Ler e escrever era um prestígio, coisa de homens próximos de Deus, seus interpretes ou deuses por si mesmos. Nem todos eram “eleitos”, nem o podiam ser.

Assim, as primeiras escolas institucionalizadas, enquanto espaços de transmissão dos saberes, restringiam-se às classes dirigentes. Ao povo sobrava a educação educação informal, fruto da experiência e transmitida de pai para filho. A tradição oral lhes pertencia, não por opção.

Havia também a educação para os ofícios, adquirida por meio da observação e imitação. Ter um ofício era sinônimo de status, a exemplo dos escribas no Egito.

Os tipos de educação no Oriente refletiam a estratificação social. Em poucas palavras foram estas as soluções educacionais deste período histórico: divididas por classes sociais, ligadas ao sagrado e ao primado do saber literário.


Segundo Cambi (1999), no Oriente e no Mediterrâneo, a educação passou por mudanças profundas. Para o referido autor:

“(...) ela é transmissão da tradição e aprendizagem por imitação, mas tende a torna-se cada vez mais independente deste modelo e a redefinir-se como processo de aprendizagem e de transformação ao mesmo tempo; liga-se cada vez mais à linguagem – primeiro oral, depois escrita -, tornando-se cada vez mais transmissão de saberes discursivos e não somente de práticas, de processos que eram apenas ou sobretudo operativos; reclama uma institucionalização desta aprendizagem num local destinado a transmitir a tradição na sua articulação de saberes diversos: a escola. Instituição esta que se tornava cada vez mais central até que nas sociedades arcaicas se passou aos estados territoriais e a uma rica e articulada divisão dos saberes que refletia o trabalho cada vez mais especializado e tecnicizado. Foi uma escola dúplice (de cultura de trabalho: liberal e profissional) que acentuou o profundo dualismo próprio das sociedades hidráulicas ou agrícolas, ligado ao enrijecimento dos papéis sociais em classes sociais separadas, com alguns aspectos quase de castas” (CAMBI, 1999, p. 61).

Da História de tempos e espaços distantes não nos separamos, pelo menos das ideais que ainda hoje parecem atuais. Somos herdeiros da cultura de povos que na terra viveram antes de nós, não para reproduzÍ-la, mas para resignificá-la e a partir dela criar novas formas de compreender e de viver no mundo. São elas a base da civilização. A nós cabe, quem sabe, a construção criativa de novas propostas de educação.

6 comentários:

Anônimo disse...

Texto rico em informações sobre a educação oriental.
Cintia B. Vilas Boas Brasil

Anônimo disse...

A leitura do texto contribuiu para a consolidação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula.
Maria Rios

Anônimo disse...

Podemos observar atraves desse texto, a diferença da educação ao longo da historia entre diferentes regioes,e as transformações que ela passou ate chegar aos nossos dias. Com a criação da escola institucional,
Lucidalva Rosana

Anônimo disse...

Na antiga civilização Oriental observamos que a educação neste período em algumas regiões eram restritas somente para os apogeus, já em outras, havia formas de se trabalhar a educação por meio nao intencional como cita o texto, pois aprendiam por meio da natureza garantindo a sobrevivência. No oriente muitas das cidades eram construidas intencionalmente próximos aos rios ou mares, sabendo que a água é a base da sobrevivência humana seja para o corpo quanto para construções, plantações etc, estas comunidades estavam sempre na maioria ao redor de muitas águas, assim como vemos que todo o império babilonico estava nas proximidades do rio Nilo.

Elany- Lanubia- Maria Luiza- Nilza- Sandra-

Anônimo disse...

Ao longo da história a educação passou por várias transformações, desde a pré-história até os nossos dias. Deixando de ser não intencio- nal para ser intencional.
A educação era mérito de poucos, em virtude da divisão em classes sociais. O sagrado detinha o poder de educação, nem todos tinham o direito de saber ler e escrever.Hoje ainda vemos essas idéias se refletir no campo da educação.Cabe a nós educadores mudar essa visão e adotarmos novas práticas.

Osimara Barros disse...

Amei o texto e se estivesse com tempo passaria horas aqui degustando dos seus saberes. delícia esse blog!

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