segunda-feira, 21 de abril de 2014

A lectio divina

Amigos e amigas do Ateliê de educadores. Apresento a vocês uma proposta de oração baseada na leitura orante da Bíblia. O referido material foi adaptado por mim para fins didáticos e litúrgicos.
 
 
A Lectio Divina vem do latim e tem como significado, “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante da Bíblia”. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a nossa salvação.
Os princípios da Lectio Divina surgiram por volta do ano 220 e foram praticados por monges, especialmente pelas regras monásticas dos santos Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Terezinha do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento de sua alma.
A Lectio divina tem suas raízes e é alimentada pela oração de escuta da Palavra de Deus na Sagrada Escritura, especialmente nos Evangelhos e Salmos, compreendendo quatro momentos: 1- Lectio (Leitura); 2- Meditatio (Meditação); 3- Oratio (Oração) e 4- Contemplatio (Contemplação).
O Concílio Vaticano II, em seu decreto Dei Verbum 25, promoveu a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exortou, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, alcançassem o bem supremo do conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8).


Em 2005, refletindo sobre a Lectio Divina, o Papa Bento XVI fez a seguinte observação: “Eu gostaria, em especial recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que a leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”.
 
 
Passos para vivenciar a Lectio divina

 
I. O primeiro passo é a preparação do ambiente para se fazer uma boa Lectio Divina.
Algumas sugestões:
a) Reservar um momento do dia para fazer a Lectio Divina (no mínimo 20 minutos);
b) Buscar um lugar reservado e, se possível silencioso;
c) Ter uma Bíblia que tenha bons comentários de rodapé;
d) Ter em mãos papel e caneta;
e) Procurar acalmar o corpo e a mente para poder se concentrar na leitura.
 
II. Pedir a presença do Espírito Santo, porque a Lectio Divina é uma leitura orante da Palavra, e o Espírito Santo é aquele que inspirou as Sagradas Escrituras.
Algumas sugestões:
a) Cante músicas de invocação do Espírito Santo;
b) Faça invocações ao Espírito por meio de orações que você já tenha decorado, ou leia com o coração, orações de invocações ao Espírito Santo;
c) De maneira especial, peça a presença e ação do Espírito Santo com suas próprias palavras, de forma espontânea.
 
III. Leia o texto várias vezes para que possa entender o sentido literal, poderíamos dizer, interpretar o texto para descobrir o que o texto diz.
Algumas sugestões:
a) É muito importante ler os comentários de rodapé referentes ao texto;
b) Se for uma narração (história), perceber a ação de cada personagem;
c) Se aparecer alguma palavra que o sentido não seja muito claro para você, buscar ajuda de um dicionário;
d) Comparar com outros textos Bíblicos que você já conheça e que esse texto lhe faz lembrar;
e) Grifar na própria Bíblia as passagens que você percebeu como mais importantes para a compreensão do texto.
 
IV. A meditação do texto, que é o ato de interiorizar o que foi dito, na linguagem Bíblica, chama-se meditar no coração. É o momento de perceber o que o texto me diz, o que mais me “tocou”, o que veio ao encontro do meu coração, o que ficou mais forte. São todas formas de traduzir em algum tipo de linguagem essa ação interna da Palavra em nós.
Para isso, damos algumas sugestões:
a) Escreva o que mais lhe tocou num papel, para melhor fixar;
b) A repetição da parte, versículo ou palavra que ficou mais forte, podendo até ser repetida, de olhos fechados, assumindo aquela palavra para você;
c) Você pode levar esse trecho para o seu dia, guardando na memória ou por escrito, para ser repetido várias vezes durante o dia, para que assim você possa assimilar melhor o trecho. A isso, os antigos chamavam de “ruminar” a Palavra;
d) E o mais importante, confrontar a sua vida com esse trecho do texto.
 
V. A oração é o momento onde você irá responder a Deus sobre o que Ele lhe falou por meio de sua Palavra (ensinou, animou, corrigiu, questionou). É importante entender que a oração é um diálogo que, de forma muito simples, podemos ter com Deus.
Algumas sugestões:
a) Para alguns ajuda, na oração, quando se fala em voz alta aquilo que o seu coração quer expressar;
b) Escreva a sua oração;
c) Crie, por meio da sua imaginação, alguma imagem de Jesus e fale com ele;
d) Use uma imagem ou um ícone para ajudar a ter uma direção, já que a oração é um diálogo.
 
Algumas vezes podemos perceber experiências como paz, uma alegria profunda ou uma compreensão mais profunda de Deus ou de nós mesmos.
O mais importante na contemplação são os seus frutos nas nossas vidas, principalmente de humildade e de caridade, que vão, pouco a pouco, sendo infundidos no coração daqueles que meditam perseverantemente a Palavra de Deus, em espírito de fé.
 
VI. A contemplação é, na verdade, a ação de Deus na nossa relação com Ele, por isso, não deve ser a nossa preocupação (é a parte de Deus).
A contemplação pode se realizar em nós de diversas formas, e algumas não são facilmente percebidas por meio das nossas sensações externas (corpo, sentimentos e emoções, e até a nossa compreensão).
 
Algumas vezes podemos perceber experiências como paz, uma alegria profunda ou uma compreensão mais profunda de Deus ou de nós mesmos. O mais importante na contemplação são os seus frutos nas nossas vidas, principalmente de humildade e de caridade, que vão, pouco a pouco, sendo infundidos no coração daqueles que meditam perseverantemente a Palavra de Deus, em espírito de fé.
 
VII. Por fim, o nosso empenho diário de colocar em prática aquilo que da Palavra de Deus veio ao nosso encontro.
 
Observações gerais:
(1) As sugestões dadas não devem ser aplicadas todas de uma vez, porque criaria, na verdade, confusão e cansaço.
(2) As sugestões devem ser acolhidas a partir daquelas que você mais se adapta e lhe ajudam.

Um roteiro
Bom pastor
 

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