Por Ricardo Sanabria*

Caminho calmo tinha cara de nada, as voltas do almoço que faminto buscava, vi que aquela messe era desprovida de serviços. Lanches, mercados e padarias existiam muito espaçadamente, numa prosa, nem de todo perdida, alguém disse. – Tem sempre show aí perto. - e sempre tinha forró. Lembro que ao encerrar a labuta, na rua só se via o movimento dos forrós em esparsas sextas, nunca fiquei, saía no deserto que acessa a BR e ali o Pau de Arara. Na empresa iniciante, poucos clientes e quase nenhum empregado. Eu, caminho contrário, sempre passei pelo beco do Banana Café, para alcançar o terminal despovoado e embarcar no meu repouso, ali existia gente, tímido, não posso ousar, mas grande não era o movimento.
No Grande Circular seguia observando a escura das ruas e não entendia como tão belo lugar seria assim, economicamente pacato. Raras mecânicas rudimentares e terrenos escondiam um ou outro balcão de pinga que servia refeição. Residências e minguados prédios distantes, jovens poucos e raros estudantes. 51 perfumado por sereias da Beira-Mar atravessou Messejana e ao lado do estádio - ¿ jogo? Pensei alto, tem mais não, responderam produzidos sorrisos, silenciei e com paixão olhei a Ypióca lá embaixo e sua secular história de suor ardido.
Quatorze anos não são duas semanas não. Muito se transformou aquela Messejana depois da instalação da Faculdade Ateneu na área. Onde só existiam caminhões, muros e matagais, hoje se veem estudantes, apressados por seu futuro, esfomeados de saber, consomem nas calçadas dos lanches e em mercados que não existiam. Sedentos de vida, riem, debatem e dão graça à seriedade da formação. Carregam consigo essa força transformadora. Prédios altos ergueram-se, residenciais limparam os matagais e carros lotam estacionamentos. Murmurinho de multidão profusa do antigo Fio até bairros afastados, terminal lotado, hoje renovado. O entorno da empresa já com alguns clientes e empregados não é mais despovoado, seguranças, cafés, restaurantes, academias e outras facilidades se instalaram nas proximidades, impensado era passear com civilidade por aquele lado da lagoa no escurecer, hoje parece comum e atrativo.
No 51, agora menos perfumado e quase sala de leitura, é comum ouvir revisões e conferências estudantis. As mecânicas perduram repaginadas em novas ou reformadas. Urbanizações civilizadas são grande avanço no mundo. Não sei se menos apressado ou mais enternecido, vejo hoje maiores garças no espelho d’água, um atraente “fundo do terminal” e mais graça em minha messe. Iracemas viçosas por ruas e corredores, vezes vejo-as descobrindo a vida ali nos arredores da Lagoa de Messejana. Sou imensamente grato por isso.
*Administrador, Palestrante e Orientador Organizacional. Trabalha com educação superior há vinte anos, e desde 2008 é professor da Faculdade Ateneu.
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